I never seek to take the credit; we all assume that Oscar said it
Quarteto de Dorothy Parker publicado na revista Life em 1927 e recolhido em Sunset Gun (Boni & Liveright, Nova York, 1928), na sequência de versos titulada “A Pig’s-Eye View Of Literature”. O texto integral: “If, with the literate, I am / Impelled to try an epigram, / I never seek to take the credit; / We all assume that Oscar said it”.
Os quatro versos são metacomentário sobre o fenômeno cultural de atribuição automática de aforismos a Oscar Wilde. Parker reconhece a tendência e a explora em registro irônico: tudo de espirituoso vira Wilde por inércia coletiva, então quem produz uma boa piada não precisa nem reivindicá-la — Wilde será lembrado como autor por decisão coletiva.
A ironia tem dimensão biográfica. Parker própria tinha o problema simétrico — colunista do New Yorker observou em 1925 que “every New York wisecrack is attributed to Dorothy Parker”. Os dois autores compartilham o destino de cesta-de-piadas-de-outros, com a diferença de que Wilde virou cesta universal e Parker cesta nova-iorquina. Os versos são citação obrigatória em estudos sobre falsa atribuição literária e abrem o capítulo sobre Wilde no manual They Never Said It (Boller & George, Oxford, 1989).
