Temos um expansionismo, que é o de crescermos dentro das nossas próprias fronteiras
A frase pertence ao discurso de Vargas em Goiânia, em 1940, durante as festividades de inauguração da nova capital goiana, projetada como capital interior em substituição à antiga Cidade de Goiás. O texto integral nesse trecho diz: “Continuam, entretanto, os vastos espaços despovoados. Eis o nosso imperialismo. Não ambicionamos um palmo de território que não seja nosso, mas temos um expansionismo, que é o de crescermos dentro das nossas próprias fronteiras.” A construção opera por inversão deliberada do vocabulário internacional do período.
“Imperialismo” e “expansionismo” eram termos quentes em 1940, ano da Batalha da França e dos primeiros movimentos de divisão do mundo entre eixo e aliados. Ao apropriar-se das duas palavras e redirecioná-las para o interior do território, Vargas constrói uma terceira via retórica: o Brasil teria seu projeto expansivo, mas voltado para o Centro-Oeste despovoado, não para fronteiras alheias. A operação serve simultaneamente ao programa Marcha para o Oeste, lançado oficialmente em 1938, e ao posicionamento diplomático do Brasil como neutralidade cautelosa entre potências.
A formulação foi discutida por historiadores como matriz do nacional-desenvolvimentismo de longo prazo. A ideia de que o crescimento brasileiro seria territorial-interno, com integração de regiões periféricas pela colonização dirigida, infraestrutura e estímulo migratório, organizou políticas públicas de Vargas a Juscelino, da Marcha para o Oeste à transferência da capital para Brasília. O discurso de Goiânia funciona como articulação canônica desse programa, e a frase específica é a sua condensação retórica mais citada.
