O sindicato é a vossa arma de luta, a vossa fortaleza defensiva, o vosso instrumento de ação política
A frase foi pronunciada no estádio São Januário, do Vasco da Gama, no Primeiro de Maio de 1951, primeiro Dia do Trabalhador do segundo governo Vargas. O presidente havia retornado ao Catete em janeiro daquele ano, eleito por 3,8 milhões de votos depois de quase seis anos fora do poder, desde a deposição de outubro de 1945. A alocução abriu com a fórmula reaberta “Trabalhadores do Brasil!” e construiu, em sua parte central, o programa de relação entre executivo e sindicato que orientaria o triênio seguinte.
A definição tripartite do sindicato é deliberada. “Arma de luta” associa o sindicato à dimensão combativa, no léxico do conflito de classes. “Fortaleza defensiva” desloca para o registro defensivo, com o sindicato como abrigo contra ataques externos. “Instrumento de ação política” amplia ainda mais o escopo, declarando que o sindicato deve atuar para além da pauta econômica imediata, no plano da disputa pelo poder. A tríade cobre todo o espectro funcional possível, e isso é parte do efeito retórico.
A formulação contraria a estrutura corporativa que o próprio Vargas havia montado no Estado Novo, em que o sindicato era órgão tutelado pelo Ministério do Trabalho, com unicidade sindical, imposto sindical compulsório e investidura do sindicato pelo Estado. A frase de 1951 propõe um sindicato que age politicamente, o que pressupõe autonomia que a estrutura corporativa não previa. A historiografia trata essa tensão como contradição interna do trabalhismo varguista, com o segundo governo tentando reconciliar herança corporativa do Estado Novo e abertura democrática do pós-guerra. A frase foi reciclada por dirigentes do PTB e pelos grandes sindicatos urbanos ao longo dos anos 1950 e 1960.
