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❝ Citação

Meu sacrifício nos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta

A passagem completa diz: “Meu sacrifício nos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória.” A frase é programa explícito. Vargas escreve, antes de morrer, que seu nome deve servir de bandeira política aos que ficam.

A escolha do termo “bandeira” tem peso preciso. No léxico político brasileiro do período, “bandeira” designa pauta de luta organizada, mobilizadora, capaz de unificar grupos diversos sob lema comum. Ao oferecer o próprio nome como bandeira, Vargas transfere para o pós-morte a função que a presidência cumpria em vida. O presidente morto deve operar como aglutinador, cumprindo no plano simbólico o trabalho que o presidente vivo cumpria no plano administrativo.

A formulação foi cumprida. Em 1955, Juscelino Kubitschek venceu a eleição com a candidatura associada à herança getulista. O PTB sobreviveu e cresceu até 1964 mantendo Vargas como matriz fundacional. Goulart, sobrinho político e herdeiro direto, assumiu a vice-presidência em 1956 e a presidência em 1961 invocando a continuidade. O programa retórico do parágrafo, transformar o morto em símbolo articulador, funcionou como instrução de uso para os varguistas das décadas seguintes, com efeitos rastreáveis até a fundação do PDT por Brizola em 1980.