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Utilitarismo — os três pilares

O utilitarismo clássico assenta em três princípios.

O primeiro é o princípio da utilidade, ou da maior felicidade. Uma acção é moralmente correcta na medida em que promove a maior quantidade de bem-estar para o maior número de pessoas. Bentham formulou-o; Mill refinou-o.

O segundo é o consequencialismo. O valor moral de uma acção depende das suas consequências, não da intenção do agente nem da natureza do acto em si. O utilitarismo é a versão mais conhecida do consequencialismo, mas não a única. Há variantes pluralistas (Moore), igualitárias, de regras. Todas mantêm o enquadramento consequencialista sem reduzir tudo a prazer.

O terceiro é a imparcialidade. A felicidade de cada indivíduo conta igualmente no cálculo. Bentham: each to count for one, and none for more than one. Nenhuma posição social, proximidade afectiva ou mérito justifica peso diferente.

O consequencialismo como categoria surgiu em parte como resposta às limitações do utilitarismo. Anscombe cunhou o termo em 1958 para agrupar e criticar estas teorias. Filósofos desenvolveram formas alternativas desde então: consequencialismo de preferências, de regras, pluralista. A intuição central sobrevive (consequências importam), mas corrigem-se os pontos mais controversos: hedonismo estrito, tirania da maioria.