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Travesti, a Invenção do Feminino

A resenha descreve a etnografia de Hélio Silva sobre travestis na Lapa, no Rio de Janeiro, a partir de pesquisa feita em 1991. O livro trata de identidade, gênero, promiscuidade sexual, marginalidade e sadomasoquismo, e mostra o envolvimento do pesquisador com o campo.

Fichamento
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  • A obra resulta de uma dissertação de mestrado em Antropologia Social e estuda o travestitismo na sociedade brasileira a partir da Lapa.
  • O autor diz que não buscou isenção ou neutralidade, porque estava mergulhado na subjetividade dos nativos.
  • Para se aproximar dos travestis, o pesquisador mudou a roupa, a atitude e a forma de interação, deixando de usar entrevistas formais.
  • O trabalho é apresentado como uma problematização de ideias, não como descoberta de uma cultura nova.
  • A pesquisa durou onze meses e gerou envolvimento afetivo com os sujeitos estudados, sobretudo com Lucrécia.
  • O livro é dividido em tarde, noite e manhã, acompanhando o cotidiano dos travestis.
  • À tarde, eles cuidam da aparência física, depilam-se e tratam do cabelo.
  • À noite, trabalham nas esquinas e calçadas, no trottoir.
  • A prática de rua os expõe a humilhações e a riscos físicos, incluindo o HIV.
  • O texto diz que os travestis vivem e se relacionam socialmente no contexto em que estão inseridos.
  • Em torno do travesti forma-se uma dupla identidade, entre a busca da beleza e a identidade criada pela sociedade, marcada por riso, piadas e ironia.
  • A resenha destaca a imagem da “dupla pele” feita de purpurina e humilhação.
  • Os travestis querem se mostrar e aparecer, mas vivem sob ameaça constante, o que produz um sintoma paranoico ligado ao cotidiano.
  • A maioria dos clientes é apresentada como passiva, e isso aparece como crítica aos machões, casados e pais de família que os procuram apesar das críticas públicas.
  • O texto aponta a ambiguidade do ethos travesti, visto como desvio, embora ocupe espaço na paisagem urbana contemporânea.
  • Há uma rede de serviços e relações em torno deles, inclusive com heterossexuais com família, o que contribui para sua naturalização.
  • A resenha conclui que o feminino do travesti não é tomado como mera ilusão, mas como outra possibilidade do feminino.