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Sutra do 6° Patriarca

A história começa com um concurso poético no mosteiro do 5° Patriarca, Hongren. Ele anuncia que vai escolher seu sucessor pelo verso. Shenxiu, o discípulo erudito, escreve no muro à noite:

身是菩提樹,心如明鏡台 時時勤拂拭,勿使惹塵埃

Shēn shì pútí shù, xīn rú míng jìng tái Shí shí qín fú shì, wù shǐ rě chén āi

O corpo é a árvore Bodhi, a mente é como um espelho brilhante. A todo momento devemos poli-lo, não deixar a poeira pousar.

Huineng, trabalhador iletrado da cozinha, pede que outro escreva por ele a resposta:

菩提本無樹,明鏡亦非台 本來無一物,何處惹塵埃

Pútí běn wú shù, míng jìng yì fēi tái Běn lái wú yī wù, hé chù rě chén āi

A Bodhi originalmente não tem árvore, o espelho brilhante também não tem suporte. Originalmente nada há, onde poderia a poeira pousar?

Hongren transmite o manto a Huineng em segredo, à noite, e o manda fugir. O texto compilado a partir dos ensinamentos dele virou o Sutra do 6° Patriarca (六祖壇經, Liù Zǔ Tán Jīng), manuscrito mais antigo conhecido datado por volta de 780. “Sutra” (經) é tradicionalmente reservado às palavras do Buda; este é praticamente o único texto não-Buda que recebeu o título.

Norte e Sul
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Os dois versos abriram a partição do Chan em duas escolas. Shenxiu seguiu para o Norte (北宗), defendendo iluminação gradual: a pureza original existe, mas precisa ser revelada por trabalho contínuo de polir o espelho. Huineng seguiu para o Sul (南宗), defendendo iluminação súbita (頓悟): não há espelho a polir, a natureza-Buda é vazia desde o início.

A tradição “oficial” do Chan sobreviveu na linhagem de Huineng. McRae argumenta que os dois versos são complementares, não opostos. Em paralelo, doutrinas centrais do sutra fixaram um vocabulário que continua circulando: 無念 (Mou Nim, não-pensamento), 無相 (Mou Seung, não-forma), 無住 (Mou Jyu, não-permanência), 見性成佛 (Gin Sing Sing Fat, “ver a própria natureza, tornar-se Buda”).

Edições
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  • Em português: Daido Roshi (ed. Polar); Centro de Estudos Budistas Bodhiyana
  • Em inglês: Philip Yampolsky (Columbia, 1967), padrão acadêmico baseado no manuscrito de Dunhuang. Red Pine (2006), versão mais literária