Se você gasta o adjetivo 'genial' com o Chimbinha, o que é que eu vou dizer do Beethoven?
Trecho de palestra do escritor paraibano Ariano Suassuna em comentário a uma coluna de jornal que afirmava “A Calypso é a verdade do povo brasileiro” e chamava Chimbinha de “guitarrista genial”.
Suassuna se posiciona primeiro como escritor. “Meu material de trabalho é a língua portuguesa.” Daí formula a objeção semântica: gastar “genial” com Chimbinha esgota a palavra antes de Beethoven.
Concede em seguida que a Calypso é “musicalmente interessante”. O que insulta, diz, é a “coisa super brega que é a cara do Brasil”. A identificação da brasilidade pelo brega o incomoda mais que a música em si.
Fecha com anedota: o neto mais velho o interrompe para dizer que não vale a pena gastar tempo com a Calypso porque “tem coisa muito pior”. Suassuna conjectura, ao fim, que o fenômeno seria contagioso.
A grafia popular “Ximbinha” é comum em republicações; o nome artístico é Chimbinha.
