Must then a Christ perish in torment in every age to save those that have no imagination?
Do Epílogo de Saint Joan (1923), peça que Shaw escreveu logo após a canonização de Joana d’Arc por Bento XV em 1920. A fala é de Pierre Cauchon, o bispo que presidiu o tribunal eclesiástico que condenou Joana à fogueira em 1431 — figura que Shaw reabilita, no Epílogo onírico, como inquisidor honesto agindo dentro da lógica da própria época.
O Epílogo se passa em 1456 no quarto do rei Carlos VII, com aparições sucessivas dos personagens históricos comentando a reabilitação póstuma de Joana. A frase de Cauchon fecha a meditação shaviana sobre a santidade como falha de imaginação coletiva: cada época precisa do seu mártir porque cada época falha em imaginar o que a santidade já viu. A peça rendeu a Shaw o Nobel de Literatura de 1925, prêmio que ele aceitou mas cujo dinheiro recusou, doando-o para fundar a tradução do sueco para o inglês de obras literárias — em particular Strindberg.
