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Sergio Leo resenha seu conto predileto: “O alienista”, de Machado de Assis
A resenha usa O alienista para discutir o que define um conto e como Machado de Assis encena, no enredo de Bacamarte, a falha da razão quando tenta organizar a loucura e a vida social. O texto também lê o conto como uma história dupla, com a aventura científica aparente e o fracasso íntimo do próprio alienista.
Fichamento#
- O alienista é tratado como um texto que ultrapassa a simples história de um médico testando teorias sobre a loucura.
- A resenha aponta que o conto também serve para discutir a dificuldade de definir o gênero conto, já que muita gente o classifica como novela.
- A ideia do conto como uma vitória por nocaute é atribuída a Julio Cortázar, mas o texto prefere a noção de limite, economia de meios e corrida contra o relógio.
- A formulação de Ricardo Piglia é apresentada como mais rica porque todo conto expõe uma história e desenvolve outra, escondida.
- No conto, a narrativa aparente concentra-se em um incidente e a camada paralela amplia ou sofistica a visão de mundo.
- A resenha rejeita a imagem do conto como enigma e o aproxima de uma verdade secreta sob a superfície da vida.
- Em Machado, o embate não é para derrubar o leitor, mas para envolvê-lo rápido e por completo na leitura.
- O alienista é resumido como a história de um estudioso da loucura que tranca quase toda a cidade no hospício e depois se tranca também.
- O narrador em terceira pessoa apresenta Bacamarte com adjetivos elogiosos marcados por ironia.
- A resenha vê no conto a implosão das pretensões de encontrar uma receita racional e definitiva para as ações humanas.
- O texto relaciona o tom farsesco ao casamento de Bacamarte e à confiança dele na racionalidade humana.
- A leitura destaca uma história oculta ligada ao fracasso da razão na trajetória do próprio Bacamarte.
- O conto é descrito como uma articulação entre a ação pública do cientista em Itaguaí e sua solidão final.
- A resenha menciona uma aproximação possível entre Machado de Assis e a crítica de Michel Foucault sobre saber, poder e instituições controladoras.
- O texto diz que o conto mostra como teorias conspiratórias florescem quando a população não entende os mecanismos do poder.
- A resenha critica simplificações de Machado de Assis em adaptações feitas por Patrícia Secco e defende a leitura comparada palavra a palavra.
- O texto lembra que O alienista foi publicado em Papéis Avulsos, de 1882.
- A resenha encerra dizendo que o conto segue provocando admiração.
