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Omnia, Lucili, aliena sunt, tempus tantum nostrum est
Da Epistula 1.3 das Cartas Morais a Lucílio, primeira carta da coletânea: “Omnia, Lucili, aliena sunt, tempus tantum nostrum est” — tudo o mais é alheio, Lucílio, só o tempo é nosso. Sêneca abre a correspondência com um inventário de perdas: gastamos o tempo, deixam-no roubar, deixam-no escorrer, e quase ninguém o estima como bem.
A carta data dos últimos anos da vida de Sêneca, depois de seu afastamento da corte de Nero (62 d.C.) e antes do suicídio forçado em 65 d.C. As 124 cartas formam o tratado moral tardio da fase em que ele já se tinha retirado para escrever. O argumento é prático: o tempo é o único bem cuja perda não pode ser repetida — moedas se recuperam, dias não.
