Non vivere bonum est, sed bene vivere
Da Epistula 70.4: “non vivere bonum est, sed bene vivere” (o bem está em viver bem, não no mero viver). A carta trata do suicídio como saída legítima quando a vida deixa de admitir o uso virtuoso. O argumento é técnico: o sábio vive enquanto deve, e não enquanto pode (Ep. 70.4 também: “sapiens vivit quantum debet, non quantum potest”).
A passagem ganhou peso biográfico póstumo. Em 65 d.C., Sêneca foi implicado por Nero na Conspiração Pisoniana e ordenado a se suicidar. Tácito narra (Annales XV.62-64) o cumprimento metódico do rito — corte das veias, banho quente, ditado a secretários até o fim. A leitura clássica do gesto à luz das Epistulae é que o autor cumpriu na prática o que ensinava: a duração da vida importa menos que a integridade do seu fim.
