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Ira... brevis insania est

Do De ira I.1.2: “ira… brevis insania est” (a ira é uma breve loucura). A frase abre o tratado em três livros que Sêneca dedica ao irmão Novato, que depois adotaria o nome Galião e seria mencionado nos Atos dos Apóstolos. A definição é dada em sequência a uma descrição clínica: olhos faiscantes, voz rouca, marcha trôpega, mãos trêmulas. A fisiologia da paixão.

O argumento central do tratado é estoico em sentido forte: a ira não admite proporcionalidade. Mesmo a chamada ira justa, dirigida contra o malfeitor, sai do controle, dura mais que a ofensa, gera mais males que repara. A solução estoica é supressão, não gestão. Sêneca rejeita explicitamente a doutrina aristotélica do eutymia (justa medida do afeto) e segue Crisipo: o afeto é juízo, e o juízo errado se corrige por outro juízo, não por temperança.

O tratado data dos primeiros anos do reinado de Cláudio (provavelmente 41-49 d.C.) e foi escrito em parte durante o exílio de Sêneca na Córsega.