Curae leves locuntur, ingentes stupent
Da Phaedra de Sêneca, verso 607: “curae leves locuntur, ingentes stupent”, cuidados leves falam, os imensos ficam paralisados. A fala é de Fedra, esposa de Teseu, prestes a confessar a Hipólito (enteado) sua paixão proibida. O verso é uma observação sobre o silêncio que precede o que ainda não tem palavra.
A formulação tornou-se locus topicus da tradição literária ocidental para a inexpressabilidade do sofrimento extremo. Shakespeare ecoa em Macbeth IV.3.209: “give sorrow words; the grief that does not speak whispers the o’erfraught heart and bids it break”. A peça de Sêneca reescreve o Hipólito de Eurípides invertendo, no enredo, o momento da revelação amorosa, que em Eurípides é mediada pela ama. Em Sêneca, Fedra fala diretamente, e a tragédia se acelera.
