❝ Citação
O excesso de leitura priva a mente de toda a elasticidade, assim como a contínua pressão de um peso afrouxa uma mola. A maneira mais segura de jamais ter sequer um pensamento próprio é apanhar um livro toda vez que se tem um tempo livre. A prática desse hábito é a razão por que a erudição torna a maioria dos homens mais enfadonhos e tolos do que são por natureza, e priva os seus escritos de toda efetividade. Nas palavras de Pope, eles estão "para sempre lendo, jamais sendo lidos". [...] O homem que pensa por si mesmo busca as opiniões das autoridades só depois de ter adquirido suas próprias opiniões e meramente como confirmação delas, ao passo que o filósofo livresco começa com as autoridades e constrói suas opiniões coletando as opiniões dos outros: sua mente está para a do primeiro assim como um autômato está para um homem vivo. Uma verdade que foi apenas aprendida adere a nós somente como um membro artificial, um dente falso, um nariz de cera ou, no máximo, uma pele transplantada. Mas uma verdade conquistada pelo próprio pensamento é como um membro natural: só ela realmente nos pertence. Isso define a diferença entre um pensador e um scholar.
De Parerga und Paralipomena II, capítulo XXII (“Über das Selbstdenken”), §§258 e 260, 1851. A passagem combina dois parágrafos adjacentes: o §258 traz a metáfora da mola e a citação de Pope; o §260 desenvolve o contraste entre o pensador autônomo e o “filósofo livresco” e encerra com a imagem do membro natural versus prótese.
A citação de Pope — “For ever reading, never to be read” — é do Dunciad, Livro III, ll. 193–4 (1728, edição definitiva 1743). Schopenhauer cita em inglês no original alemão.
Faz par direto com Lesen heißt mit einem fremden Kopfe, statt des eigenen, denken, que cobre o §261 do mesmo capítulo.
