Schon der Anblick der weiblichen Gestalt lehrt, daß das Weib weder zu großen geistigen, noch körperlichen Arbeiten bestimmt ist
De Parerga und Paralipomena II, capítulo XXVII (“Über die Weiber”), 1851. O ensaio inteiro é uma das peças mais misóginas da filosofia europeia do século XIX. Schopenhauer sustenta nele que a natureza determinou as mulheres a permanecer crianças durante toda a vida, que sua função biológica é a propagação da espécie, e que delas não se deve esperar nem grande inteligência nem produção cultural elevada.
O texto é alemão verbatim de Schopenhauer e não pode ser atribuído a paráfrase distorcida. A historiografia recente — Martha Nussbaum em Sex and Social Justice (1999), Sandra Shapshay em Reconstructing Schopenhauer’s Ethics (2019) — examina o ensaio como ponto problemático que precisa ser confrontado, não atenuado, no estudo de sua obra.
Algumas linhas defensivas tentaram explicar o ensaio biograficamente (Schopenhauer rompera dolorosamente com a mãe, Johanna, escritora de sucesso) ou teoricamente (a metafísica da Vontade implicaria pessimismo simétrico sobre todos os sexos). Nenhuma das defesas é suficiente: Schopenhauer construiu argumentos em chave especificamente misógina, e o ensaio precisa ser lido como tal — em contraste, vale notar, com sua defesa pioneira dos direitos animais no mesmo período.
