Suicide may also be regarded as an experiment — a question which man puts to Nature
De Parerga und Paralipomena II, capítulo XIII (“Über den Selbstmord”), §160, 1851. Schopenhauer trata o suicídio como pergunta posta pelo homem à natureza — pergunta sobre o que muda na sua existência e no seu conhecimento quando a morte se interpõe. O experimento é, no entanto, desajeitado: ele destrói a própria consciência que formula a pergunta.
Apesar do tom irônico, o capítulo é uma das defesas mais explícitas, na filosofia europeia do século XIX, do direito moral ao suicídio contra as condenações cristãs. Schopenhauer rejeita a posição teológica clássica (suicídio como ofensa a Deus) e a posição kantiana (suicídio como violação do imperativo categórico).
O ponto sutil de Schopenhauer é metafísico: o suicídio é tratado como erro de cálculo, não como pecado. Quem se mata destrói o fenômeno (a manifestação individual), mas não a Vontade — que continua a se afirmar em outros lugares. A salvação verdadeira, para ele, é a negação da Vontade pela ascese, não sua interrupção pelo gesto isolado.
A passagem foi crucial para Camus em Le Mythe de Sisyphe (1942), embora Camus discorde da metafísica subjacente.
