Ich habe die Religion als die Metaphysik des Volkes bezeichnet
De Parerga und Paralipomena I, ensaio “Über die Universitäts-Philosophie” (Sobre a filosofia universitária), 1851. Schopenhauer formula uma das definições mais influentes do século XIX sobre o estatuto da religião: ela é a metafísica do povo. Cumpre, para a multidão incapaz de pensamento abstrato, a mesma função que a filosofia cumpre para os raros que conseguem pensá-la.
A consequência é dupla. Por um lado, Schopenhauer respeita a religião enquanto alegoria — o cristianismo, ele acredita, transmite alegoricamente verdades pessimistas que a filosofia formularia em conceito (a queda, o pecado original como afirmação da Vontade, a redenção como negação dela). Por outro, condena qualquer pretensão da religião de se passar por filosofia técnica ou de impor a teólogos a tarefa de pensar.
A frase teve impacto direto sobre Feuerbach (Das Wesen des Christentums, 1841, embora anterior em datação) e foi citada por Marx ao formular “religião como ópio do povo” (1844) — cuja divergência crítica é justamente que Schopenhauer não condena o ópio.
