Die Musik ist nämlich eine so unmittelbare Objektivation und Abbild des ganzen Willens
De Die Welt als Wille und Vorstellung I, Livro III (“Die Welt als Vorstellung, Zweite Betrachtung”), §52, 1819. Passagem fundamental da estética schopenhaueriana. As outras artes representam Ideias — formas eternas que a Vontade assume nos vários graus de objetivação. A música, sozinha, salta esse intermédio: não copia as Ideias, copia a Vontade ela mesma. Por isso seu efeito é mais penetrante e direto do que o das outras artes.
A consequência é dupla. Por um lado, a música tem hierarquia metafísica superior a pintura, escultura ou poesia, porque toca a coisa-em-si sem mediação. Por outro, isso explica por que ela emociona sem precisar nomear o que comunica: ela é a própria Vontade em forma audível, antes de qualquer conceito.
A tese impactou diretamente Wagner, que mantinha Die Welt na cabeceira durante a composição de Tristan und Isolde (1859), e os escritos de Wagner sobre a primazia da música sobre o libreto repetem teses do §52. Reaparece em Nietzsche jovem (Die Geburt der Tragödie, 1872) e atravessa toda a estética musical do século XX.
