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Der Leib ist die Objektivität des Willens

De Die Welt als Wille und Vorstellung I, Livro II (“Die Welt als Wille, Erste Betrachtung”), §18, 1819. Passagem central da virada metafísica do livro: depois de mostrar no Livro I que o mundo é representação, Schopenhauer pergunta o que está por baixo da representação. A resposta começa pelo corpo próprio.

O corpo é o único objeto que conhecemos de dois modos simultâneos: por fora, como representação no espaço (figura, peso, anatomia), e por dentro, como Vontade imediatamente sentida (querer, mover, desejar). Esse acesso duplo é a chave: o corpo é a Vontade vista por fora; a Vontade é o corpo por dentro. Generalizando, todo objeto da experiência tem o mesmo estatuto duplo, e a Vontade é a coisa-em-si que Kant declarara incognoscível.

O movimento argumentativo é decisivo na história da filosofia. A tese de que o corpo é entrada para a coisa-em-si será retomada por Nietzsche (“há mais razão no teu corpo do que na tua maior sabedoria”), por Bergson, por Merleau-Ponty, e fundamenta toda a tradição da fenomenologia do corpo no século XX.