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Life is a business that does not cover the costs

De Die Welt als Wille und Vorstellung II, capítulo 46 (“Von der Nichtigkeit und dem Leiden des Lebens” — Sobre a vaidade e o sofrimento da vida), 1844. Suplemento ao Livro IV, no qual Schopenhauer defende a tese central do volume: a existência fenomenal é, no balanço, deficitária. Os custos — sofrimento, esforço, doença, morte — superam sempre os benefícios.

A formulação contábil é deliberada. Schopenhauer ataca a “ideologia compensatória” segundo a qual prazeres equilibram dores, ou segundo a qual o sentido da vida é um saldo positivo a ser celebrado. Para ele, o prazer é negativo (cessação de uma dor); a dor é positiva. O balanço, portanto, é estruturalmente negativo.

A imagem do Geschäft (negócio, comércio) que não cobre custos atravessa toda a recepção pessimista do final do XIX, ressoando em Eduard von Hartmann (Philosophie des Unbewussten, 1869), em Leopardi via tradução alemã, e em uma linha que chega até Cioran.