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❝ Citação

Whether this is the tone of a thinker wanting to instruct or that of a charlatan wanting to impress

De Parerga und Paralipomena I, “Skizze einer Geschichte der Lehre vom Idealen und Realen” (Esboço de uma história da doutrina do ideal e do real), 1851. Passagem na qual Schopenhauer formula seu ataque mais sintético contra Fichte, Schelling e Hegel: bastam cinco minutos de leitura para o leitor sem viés perceber se está diante de um pensador que quer instruir ou de um charlatão que quer impressionar.

A briga era pessoal e teórica. Pessoal: Schopenhauer marcou suas aulas em Berlim no horário de Hegel para roubar-lhe alunos — e a sala ficou vazia. Teórica: ele acusava o idealismo pós-kantiano de obscuridade deliberada, oportunismo institucional (filosofia a serviço do Estado prussiano) e abandono do rigor kantiano.

A acusação atravessou o século XIX e foi recolhida por Nietzsche, que em Götzen-Dämmerung (1889) chama Hegel de “atraso para todos”. A imagem do “filósofo charlatão” como categoria sociológica — alguém cuja autoridade vem da posição institucional, não da qualidade do pensamento — é herança direta dessa polêmica.