Remessas custam mais do que o PIB cresceu
“No último ano, as remessas de juros, lucros, dividendos, aluguéis e royalties para o exterior representaram 4,1% do PIB.”
— Luiz Carlos Bresser-Pereira
O PIB brasileiro cresceu 3% em 2025. As remessas ao exterior foram de 4,1% do PIB no mesmo período. Mais do que crescemos foi drenado — antes de qualquer distribuição para a população.
Os valores não se somam diretamente — remessas e crescimento medem coisas diferentes, e parte das remessas financia atividades que contribuem para o PIB. Mas a proporção é sugestiva: se uma fração maior desse capital tivesse sido reinvestida no Brasil — em infraestrutura, produção, consumo interno — qual seria a taxa de crescimento? A pergunta não tem resposta simples, mas a assimetria chama atenção.
Bresser-Pereira vê isso como consequência direta das políticas liberais de abertura financeira: o financiamento externo não complementa a poupança doméstica, substitui — e cobra o preço depois, em remessas permanentes de juros, lucros e royalties.
