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As quatro causas de Aristóteles, dos textos ao telos

Para Aristóteles, só se conhece uma coisa quando se apreende o seu porquê, a sua causa (Física II.3). E uma mesma coisa tem quatro causas. Ele as expõe também na Metafísica V.2, e ensina com um exemplo de ofício: a estátua.

  • Causa material: aquilo de que a coisa é feita e que nela permanece. O bronze da estátua, a prata da taça.
  • Causa formal: a forma, o enunciado da essência. A figura que faz daquele bronze uma estátua, e não um bloco de metal.
  • Causa eficiente: a fonte primária da mudança ou do repouso. O escultor; ou, no exemplo do próprio Aristóteles, o pai como causa do filho.
  • Causa final: o fim, aquilo em vista do qual algo se faz. A saúde é a causa de caminhar.

Explicar a estátua por inteiro é dar as quatro: ela é bronze (material), com uma forma (formal), saída das mãos do escultor (eficiente), feita para honrar alguém (final). O mesmo vale para uma cadeira: a madeira (material), o arranjo de encosto, assento e pernas (formal), o carpinteiro (eficiente), servir para sentar (final). A leitura pela cadeira, a partir do podcast Naruhodo, está na anotação As quatro causas de Aristóteles.

Por que quatro causas, e não uma? Numa leitura comum, é a resposta de Aristóteles ao mestre: Platão buscava uma causa única e ideal, e Aristóteles espalha a explicação pelo próprio objeto sensível. Na Escola de Atenas de Rafael (1510), Platão aparece apontando para cima, ao mundo das ideias, e Aristóteles com a palma voltada para baixo, à coisa que tem diante de si, contraste que o episódio do Naruhodo retoma.

Por que às vezes se conta menos de quatro? O próprio Aristóteles observa, na Física II.7, que as três últimas costumam coincidir: o que a coisa é, o para que existe e aquilo que a produz tendem a se fundir numa só (um homem gera um homem). Na natureza, forma, agente e fim caem juntos, e sobram dois, a matéria e a natureza da coisa.

A causa final é o fim, o telos, aquilo em vista do qual algo se faz (Física II.3). É ela que Aristóteles invoca quando diz que toda arte visa um fim (Ética a Nicômaco I.1). Esse telos reaparece como o fim de uma arte na pesquisa sobre arte marcial.