Quando uma superpotência cai, a percepção social da realidade se dissolve
O texto usa o caso de Anatolii Fomenko para mostrar como o colapso soviético ajudou a tornar plausível, para muitos russos, a negação da invasão mongol e a ideia de um “Grande Império” eslavo-turco. A crise dos anos 1990 aparece ligada à perda de passado, de futuro e de dignidade, e a teoria de Fomenko surge como consolo numa época de desemprego, desigualdade, violência e mortalidade em alta.
A comparação se expande para a Guerra Fria e para os Estados Unidos. O autor afirma que o socialismo soviético já pareceu uma alternativa viável, que o capitalismo estadunidense respondeu com investimento público e avanços sociais, e que a “vitória” na Guerra Fria abriu espaço para austeridade, desigualdade e erosão de consensos intelectuais. Daí a analogia com o presente, em que teorias da conspiração e nostalgias reacionárias ganham força em meio à perda de autoridade compartilhada.
Fichamento#
- O caso Fomenko mostra uma teoria histórica plausível para leitores abalados pela queda soviética, porque oferecia uma versão orgulhosa e estável do passado russo.
- O sucesso da teoria foi ligado à transição dos anos 1990, marcada por desemprego, desigualdade, doenças, violência e queda da expectativa de futuro.
- A Rússia pós-soviética aparece como um país que perdeu dignidade, direção histórica e confiança em si mesma.
- A União Soviética é lembrada como potência que liderou a corrida espacial, acumulou prêmios Nobel e garantiu direitos sociais amplos.
- O texto relaciona os êxitos soviéticos à lógica da Guerra Fria, quando ambos os sistemas ainda pareciam capazes de vencer.
- Nos Estados Unidos, a competição com a URSS teria incentivado alto investimento público, sindicalização, compressão de renda e avanços sociais e raciais.
- Depois da vitória estadunidense na Guerra Fria, o capitalismo teria deixado de buscar aprovação e passado a aceitar austeridade, desigualdade e estagnação.
- O autor aproxima o colapso soviético do presente ocidental, onde a teoria da conspiração e a nostalgia reacionária se tornaram formas centrais de discurso.
- A analogia final sugere que uma nova história revisionista sobre os Estados Unidos poderia ganhar público e legitimidade institucional com facilidade.
