Primeiro dia de escola: olhar as costas uns dos outros
Rita conta uma anedota reveladora sobre o choque entre mundos: no primeiro dia de escola, a mãe perguntou como tinha sido e ela respondeu “muito estranho, porque a gente passou a manhã inteira olhando para as costas uns dos outros.”
A disposição das carteiras em fila — algo banal para qualquer criança urbana — era informação demais para quem crescera em aldeias indígenas circulares. A passagem ilustra como Rita viveu cindida entre dois mundos, com uma “vida secreta” para cada lado: a classe média paulistana e as temporadas nos territórios indígenas.
