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Por que o Capitalismo cria postos de trabalho sem sentido

Graeber diz que a tecnologia já permitiria jornadas muito menores, mas que isso foi bloqueado pela expansão de empregos de serviços e administração sem utilidade clara. Ele liga essa situação ao poder da classe dominante, que valoriza o trabalho pelo próprio trabalho e desvia o ressentimento para quem faz tarefas socialmente úteis.

Fichamento
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  • A previsão de Keynes sobre uma semana de 15 horas parecia plausível do ponto de vista tecnológico, mas a tecnologia foi usada para fazer todos trabalharem mais.
  • Em vez de liberar tempo, a automação foi acompanhada pela expansão de serviços, setores administrativos e funções de apoio ligadas a eles.
  • Graeber chama esses cargos de “empregos babacas”, porque existem muitas vezes sem necessidade real.
  • A lógica de mercado não explica isso, já que empresas com fins lucrativos não deveriam desperdiçar dinheiro com pessoal desnecessário.
  • Os cortes em empresas atingem primeiro quem produz, move, arruma e mantém as coisas, enquanto crescem os assalariados dedicados a papelada e tarefas burocráticas.
  • Para ele, a resposta é moral e política, não econômica: é conveniente para os grupos no poder defender que trabalho intenso é um valor em si.
  • O autor compara a situação ao inferno de pessoas presas em tarefas inúteis e ressentidas com a possibilidade de outros terem trabalho mais significativo.
  • Muitas pessoas nesses cargos sabem que seu trabalho é insignificante, e isso gera violência psicológica, raiva e frustração.
  • Há uma inversão na valorização do trabalho: quanto mais evidente é o benefício social de uma função, menor tende a ser sua remuneração.
  • Se profissões úteis como enfermeiros, lixeiros ou mecânicos desaparecessem, o impacto seria imediato; já o desaparecimento de CEOs, lobistas, relações públicas e consultores não parece provocar o mesmo efeito.
  • O populismo de direita explora esse ressentimento contra trabalhadores cujo trabalho é visivelmente necessário, como metroviários, professores e operários da indústria automobilística.
  • O resultado é um regime que esmaga os trabalhadores produtivos, vilipendia os desempregados e premia uma camada grande de pessoas em funções que as aproximam das sensibilidades das classes dominantes.