Navegar é preciso; viver não é preciso
Pessoa cita a frase explicitamente como “frase gloriosa dos navegadores antigos” e a transforma em programa próprio: “Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: ‘Navegar é preciso; viver não é preciso.’ Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar.”
A frase original em latim — Navigare necesse, vivere non est necesse — é atribuída por Plutarco (em Vida de Pompeu, Vidas Paralelas) ao general romano Pompeu no século I a.C. Pompeu teria pronunciado a sentença para convencer marinheiros relutantes a transportarem trigo da Sicília para Roma em meio à tempestade. Pessoa não inventa a frase; toma-a de fonte clássica e desloca o sentido — onde Pompeu fala de obrigação cívica, Pessoa fala de criação artística. Atribuir a frase a Pessoa como invenção é o erro comum; a apropriação criativa é dele, a sentença é de Pompeu via Plutarco.
