❝ Citação
Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo
Abertura de Tabacaria, do heterônimo Álvaro de Campos. Datado por Pessoa em 15 de janeiro de 1928, publicado pela primeira vez em julho de 1933 na revista Presença nº 39 de Coimbra. As quatro linhas iniciais condensam a tonalidade do poema-síntese de Campos: niilismo declarativo seguido de afirmação invertida (a pose do nada que contém todos os sonhos). A escalada continua sequência iniciada nos Lisbon Revisited de 1923 (“Não: não quero nada”) e 1926 (“Nada me prende a nada”). A frase virou referência canônica da modernidade poética em língua portuguesa.
