❝ Citação
Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem achei
Do Cancioneiro, conjunto de poesias do ortônimo Fernando Pessoa, registrado como texto 277 no Arquivo Pessoa, datado de 1930. Continuação do poema: “Tenho mais almas que uma. / Há mais eus do que eu mesmo.”
Atenção à atribuição: o poema circula frequentemente em antologias atribuído a Ricardo Reis (incluindo no portal Citador), provavelmente porque o tema da multiplicidade interior é também característico do heterônimo horaciano. Mas o texto base “Não sei quantas almas tenho” está no Cancioneiro do ortônimo, não nas Odes de Reis. A confusão é típica e constitui um dos casos mais documentados de troca de heterônimo na recepção popular de Pessoa.
