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O mito é o nada que é tudo
De Mensagem (1934), Primeira Parte (“Brasão” / Bellum sine bello), seção “Os Castelos”, poema “Ulisses” — primeiro poema do livro inteiro. A estrofe completa: “O mito é o nada que é tudo. / O mesmo sol que abre os céus / É um mito brilhante e mudo — / O corpo morto de Deus, / Vivo e desnudo.” Pessoa retoma a tradição mítica que faz Ulisses fundador de Lisboa para articular uma teoria geral do mito como o que não existe factualmente mas estrutura tudo o que existe. A formulação foi central para a recepção heideggeriana e fenomenológica de Pessoa nos anos 1980-90.
