Minha pátria é a língua portuguesa
Do Livro do Desassossego, atribuído ao heterônimo Bernardo Soares, fragmento 259 na edição crítica de Jacinto do Prado Coelho, Galhoz e Cunha (Ática, 1982). O trecho está entre os raríssimos do Desassossego publicados em vida de Pessoa, originalmente na revista Descobrimento nº 3 (1931).
A frase costuma circular truncada e em registro patriótico oposto ao do contexto. O parágrafo completo é mais ambíguo: “Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente.” A frase tornou-se slogan cultural lusófono, frequentemente reapropriada em contextos que apagam a ironia anti-nacionalista do parágrafo inteiro.
