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❝ Citação

Tudo quanto penso, tudo quanto sou, é um deserto imenso onde nem eu estou

Poesia do ortônimo Pessoa, datada de 11 de março de 1935 — oito meses antes da morte do autor em 30 de novembro do mesmo ano. Recolhido em Poesias Inéditas (1930-1935), edição Ática póstuma. Registrado como texto 354 no Arquivo Pessoa.

A formulação está entre as mais cruas da fase final de Pessoa: o sujeito não habita nem o próprio pensamento. O eu não é apenas vazio — é vazio em que nem o vazio reconhece a si mesmo. A frase costuma circular como “Tudo o que penso, tudo o que sou, é um imenso deserto” — paráfrase próxima e tolerável; o original é o registrado acima.