❝ Citação
Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção
Do Livro do Desassossego, no mesmo fragmento que abriga “Viver é ser outro” (Arquivo Pessoa texto 299, ed. Coelho 1982). Bernardo Soares articula o ideal estético-existencial do livro: apagar tudo de um dia para o outro, recomeçar a cada manhã, manter uma “revirgindade” da emoção que recusa a sedimentação rotineira do mesmo. O neologismo “revirgindade” (uma virgindade refeita) é caracteristicamente pessoano e dá uma das formulações mais densas da estética da renovação perpétua que estrutura o Desassossego inteiro.
