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Mestre Pedro Henrique Corrêa: Humanidade é escutar o outro

No terceiro encontro do Programa de Mestrado, Mestre Pedro Henrique Corrêa, Moy Lei Yat 梅利溢, participa com a filha no colo. Poderia ter usado isso como desculpa para não se colocar, entretanto nos brindou com colocações relevantes, abrindo portas para o mundo da psicanálise.

Mestre Pedro Henrique Corrêa com a filha no colo durante o III Encontro do Programa de Mestrado
Mestre Pedro explicando para filha o que é Kung Fu

Habilidade adquirida no tempo
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Kung Fu é uma habilidade adquirida ao longo do tempo.

A questão é como medir essa habilidade. Há uma tendência ocidental a atribuir habilidade à quantidade e ao resultado chamativo. Na cultura chinesa, a leitura é outra. Habilidade está ligada à capacidade de se adaptar ao ambiente.

Kung Fu tem contexto e intencionalidade. O que conta como bom Kung Fu varia conforme valores e cenário. Pedro contrasta o Kung Fu das relações familiares contemporâneas com o anacronismo de importar expectativas da era vitoriana.

Kung Fu como cultura de família
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Formar uma concepção de Kung Fu passa, para Pedro, por reconhecer que cada família tem os seus pontos em comum. Na família Moy Jo Lei Ou, o ponto principal é a humanidade.

E humanidade é escutar o outro. Sem escutar, é garantir que não vai conseguir desenvolvê-la.

O Comentário do Si Fu
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Pedro pergunta se um ambiente perverso, como as forças armadas ou a psicanálise, seria um ambiente de baixo potencial para desenvolver Kung Fu.

Si Fu responde que o lugar não é perverso em si. Ele favorece perversidades, mas ainda assim dá para desenvolver Kung Fu lá. A psicanálise, inclusive, é apontada como fértil apesar da vaidade que circula no campo, porque é ambiente de questionamento e troca.

Qualquer ambiente que envolva troca favorece o desenvolvimento do Kung Fu.

Pedro pergunta: até onde “humanidade” pode ser usada para fins destrutivos e ainda ser chamada de Kung Fu?

Si Fu avisa que a conversa precisa de cuidado. Humanidade não é sinônimo de bem. Para ir fundo no tema, seria preciso abandonar a dicotomia bem/mal, construir/destruir, e revisar o conceito de perverso.

Perverter, no sentido freudiano original, é dobrar em um caminho não natural. Não é categoria moral, é desvio.

Glosa
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A arte de perguntar sempre inclui o outro. Quando uma boa pergunta acontece, o outro entra na conversa.

Qualquer troca favorece o Kung Fu. Especialmente quando é assimétrica.