Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
1929 notas · última:
Etimologia de 大 (Daai — Dà / daai6)
Etimologia de 大 (daai / dà / daai6): grande. Pictograma direto de pessoa de braços e pernas abertos, atestado desde o oracle Shang. No Shuowen, vasto cosmologicamente: 'céu é grande, terra é grande, homem também é grande'. Aparece em daai si hing 大師兄 (irmão mais velho da família kung fu) e gwaan mun daai gat 關門大吉, do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 元 (Yuen — Yuán / jyun4)
Etimologia de 元 (yuen / yuán / jyun4): início, origem; cabeça humana; unidade monetária. Pictograma indicativo: 兒 (pessoa) + 一/二 (marca apontando a cabeça). Aparece como unidade monetária (yuán/dólar) no trecho do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 港 (Gong — Gǎng / gong2)
Etimologia de 港 (gong / gǎng / gong2): porto, ramo de rio. Composto fonossemântico de 氵 (água) + 巷 (xiàng, beco — fonético). No Shuowen sob a forma 𣿑: 'ramificação de água'. O sentido moderno 'porto' é tardio. Aparece em heung gong 香港 (Hong Kong, 'porto perfumado'), do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 香 (Heung — Xiāng / hoeng1)
Etimologia de 香 (heung / xiāng / hoeng1): perfumado, fragrante. No Shuowen, ideograma de associação: 黍 (sorgo) + 甘 (doce) — o aroma do sorgo cozinhando. Aparece em heung gong 香港 (Hong Kong, literalmente 'porto perfumado'), do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 關 (Gwaan — Guān / gwaan1)
Etimologia de 關 (gwaan / guān / gwaan1): trancar (porta com tranca de madeira), passagem montanhosa, fronteira. Composto fonossemântico de 門 (porta) + 𢇂/𢇅 (tranca, fonético). Aparece em gwaan mun daai gat 關門大吉 ('fechar a porta com grande boa sorte' — eufemismo para falência), do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 丈 (Jeung — Zhàng / zoeng6)
Etimologia de 丈 (jeung / zhàng / zoeng6): unidade de comprimento (~3,3m, dez chi). No Shuowen: 'mão segurando dez (十)'. Relação metonímica com 丈夫 (homem adulto, ~8 chi de altura) e ramo etimológico com 杖 (bastão). Aparece em jin jeung 千丈 ('mil zhang'), do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 千 (Cheen — Qiān / cin1)
Etimologia de 千 (cheen / qiān / cin1): mil. No Shuowen: '十百' (dez centenas). Composição debatida — 大徐 lê '十+人 (associação)', 小徐 lê '十+人聲 (fonético)'; Gao Hongjin propõe '一+亻 (uma unidade humana = mil)'. Aparece em yat lok jin jeung 一落千丈 ('cair mil zhang num só lance'), do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 落 (Lok — Luò / lok6)
Etimologia de 落 (lok / luò / lok6): cair, descer. Composto fonossemântico de 艸 (vegetação) + 洛 (luò, fonético). No Shuowen, distinção precisa: 零 para gramíneas que caem, 落 para folhas de árvores. Aparece em yat lok jin jeung 一落千丈 ('cair mil zhang num só lance'), do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 蛾 (Ngoh — É / ngo4)
Etimologia de 蛾 (ngoh / é / ngo4): mariposa. Composto fonossemântico de 虫 (inseto) + 我 (wǒ, fonético). Duan Yucai discute a confusão histórica entre 蛾 (mariposa) e 蟻 (formiga). Aparece em dang ngoh 燈蛾 e na expressão pok foh dang ngoh 撲火燈蛾, do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 燈 (Dang — Dēng / dang1)
Etimologia de 燈 (dang / dēng / dang1): lâmpada, candeeiro. Composto fonossemântico tardio: 火 (fogo) + 登 (dēng, fonético). Substituiu o anterior 鐙 (suporte metálico de vela) ao migrar o radical de metal para fogo. Aparece em dang ngoh 燈蛾 ('mariposa de lâmpada'), do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 火 (Foh — Huǒ / fo2)
Etimologia de 火 (foh / huǒ / fo2): fogo. Pictograma de chama com base larga e ponta aguda. No sistema dos Cinco Elementos é o agente do Sul. Aparece em pok foh 撲火 e pok foh dang ngoh 撲火燈蛾 ('mariposa que se atira na chama'), do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 撲 (Pok — Pū / pok3)
Etimologia de 撲 (pok / pū / pok3): atirar-se contra, investir, agarrar. Composto fonossemântico de 扌 (mão) + 菐 (pú, fonético). Aparece em pok foh dang ngoh 撲火燈蛾 ('a mariposa que se atira na chama'), idiom usado no trecho do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 死 (Sei — Sǐ / sei2)
Etimologia de 死 (sei / sǐ / sei2): morrer, morto. Ideograma de associação: 歺/歹 (osso descarnado) + 人/匕 (pessoa) — vivo curvado ao lado dos ossos do morto. Aparece em ma sei da 馬死打 (literalmente 'cavalo morto bate'), expressão idiomática usada no trecho do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 電 (Din — Diàn / din6)
Etimologia de 電 (din / diàn / din6): relâmpago, eletricidade. No Shuowen: 'choque luminoso de yin e yang' — composto de 雨 (chuva) + 申 (clarão/relâmpago original). Aparece em din dung 電動 (acionado eletricamente), do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 動 (Dung — Dòng / dung6)
Etimologia de 動 (dung / dòng / dung6): mover, agir. Composto de 力 (força) com fonético 重 (zhòng, pesado). Forma antiga 𨔝 com radical 辵. Aparece em din dung 電動 (eletricamente acionado), do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 打 (Da — Dǎ / daa2)
Etimologia de 打 (da / dǎ / daa2): golpear, bater. Composto fonossemântico de 扌 (mão) + 丁 (fonético dīng). Caractere 新附 — não consta no Shuowen original, foi acrescentado por Xu Xuan na revisão Song. Aparece em da jong 打樁 e da ji 打字, do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 前 (Chin — Qián / cin4)
Etimologia de 前 (chin / qián / cin4): frente, antes, avançar. No Shuowen aparece como 歬: barco que avança sem caminhar. Aparece em chin gung 前弓, postura do Mui Fa Jong descrita no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 後 (Hau — Hòu / hau6)
Etimologia de 後 (hau / hòu / hau6): atrás, depois, posterior. Ideograma de associação: 彳 (caminho) + 幺 (pequeno/fio) + 夊 (passo lento) — quem anda devagar fica para trás. Aparece em hau hok 後學 e hau jin 後箭, do Mui Fa Jong no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 箭 (Jin — Jiàn / zin3)
Etimologia de 箭 (jin / jiàn / zin3): flecha, com radical 竹 (bambu) sobre o fonético 前 (qián). Aparece em hau jin 後箭, postura do Mui Fa Jong descrita no Hai Tong por Moy Yat.
A música é o silêncio que existe entre as notas: formulação migrante, atribuição duvidosa a Jobim
Aforismo sobre música amplamente atribuído a Tom Jobim em portais de citações brasileiros. Variantes da mesma fórmula são atribuídas a Mozart, Debussy, Miles Davis e Claude Debussy em fontes internacionais. Não há fonte primária de Jobim que confirme a frase.
O Brasil não é para principiantes — atribuição não documentada por fonte primária
Frase amplamente atribuída a Tom Jobim. A versão mais difundida diz ter sido pronunciada ao fotógrafo americano David Drew Zingg c. 1961, mas não há registro primário (gravação, entrevista publicada, escrito de Jobim) que confirme a frase ipsis litteris.
A música brasileira, que ia muito bem, de repente acabou
Declaração de Tom Jobim à BBC em junho de 1986, em entrevista sobre o impacto da ditadura militar (1964-1985) na produção cultural brasileira. Diagnóstico retrospectivo, no primeiro ano após a redemocratização.
Eu vivo no mato. Eu vivo dentro da floresta da Tijuca
Resposta de Tom Jobim no Roda Viva (20 de dezembro de 1993) sobre sua vida cotidiana e seus interesses ecológicos. A frase situa o compositor da Garota de Ipanema como morador de mata, não de orla.
O Rio que eu conheci não existe mais
Resposta de Tom Jobim no Roda Viva (20 de dezembro de 1993) sobre as transformações da cidade que aparece em sua obra. Diagnóstico sem nostalgia performática: a cidade-musa é descrita como objeto perdido.
Esclareci que eu não era comunista, era pianista
Resposta de Tom Jobim no Roda Viva (20 de dezembro de 1993) sobre uma detenção política durante a Era Vargas. Recurso humorístico para lidar com episódio de repressão sem dramatização.
Se eu tivesse nascido na Hungria, certamente faria música húngara
Resposta de Tom Jobim no programa Roda Viva (TV Cultura, 20 de dezembro de 1993) sobre por que faz música brasileira. Formulação que descarta tanto o nacionalismo programático quanto o internacionalismo descontextualizado.
Corcovado: música e letra de Tom Jobim, gravada por João Gilberto em 1960
Composta por Tom Jobim em 1960 (música e letra), gravada por João Gilberto no álbum O Amor, o Sorriso e a Flor (1960). Letra inglesa posterior de Gene Lees como 'Quiet Nights of Quiet Stars'.
Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro
Verso de abertura de 'Samba do Avião' (1962), música e letra de Tom Jobim, escrita para o filme italiano Copacabana Palace. Estreada no Au Bon Gourmet em agosto de 1962, primeira gravação por Elza Laranjeira em outubro do mesmo ano.
'Uma criança que lê será um adulto que pensa' — não é frase atribuível a Monteiro Lobato
Aforismo motivacional sobre leitura, sem fonte primária identificada na obra de Lobato, atribuído indiscriminadamente também a Victor Hugo, Cervantes e outros autores. Apócrifo de origem incerta.
Desafinado — bossa nova como réplica aos críticos
Composta por Tom Jobim e Newton Mendonça, gravada por João Gilberto em novembro de 1958, lançada em fevereiro de 1959 no álbum Chega de Saudade. Replica diretamente à acusação de que bossa nova era 'música para cantores desafinados'.
'O Brasil é um imenso hospital' — não é frase de Monteiro Lobato
A frase é de Miguel Pereira, médico, professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em discurso de 11 de outubro de 1916. Confunde-se com Lobato pela proximidade temática com a campanha sanitarista que ele divulgou.
Chega de Saudade — marco inaugural da bossa nova
Composta em 1956 por Jobim e Vinicius, gravada por Elizeth Cardoso (abril 1958) e por João Gilberto (julho 1958, lançada em agosto). A sessão de Gilberto é considerada o marco inicial da bossa nova.
'O petróleo é nosso' — não é frase de Monteiro Lobato
O slogan da campanha nacionalista do petróleo é frequentemente atribuído a Lobato, mas foi cunhado por Otacílio Raínho em 1948 e popularizado pelo movimento nacionalista que culminou na criação da Petrobras (1953).
Rua, espada nua / Boia no céu imensa e amarela
Versos de abertura de 'Luiza' (1981), música e letra de Tom Jobim, composta para a abertura da telenovela Brilhante (Globo, 1981) e regravada no álbum Passarim (1987).
Quem morre pelo seu país vive eternamente
Frase atribuída a Monteiro Lobato em compilação de aforismos políticos brasileiros (Buchsbaum, 2006). Atribuição secundária; a fonte primária não é localizável na obra do autor.
Tristeza não tem fim, felicidade sim
Verso de abertura de 'A Felicidade' (1958), música de Jobim e letra de Vinicius de Moraes para o filme Orfeu Negro de Marcel Camus, vencedor da Palma de Ouro em Cannes 1959 e do Oscar de filme estrangeiro em 1960.
O Homem que Calculava já me encantou duas vezes
Carta de Monteiro Lobato a Malba Tahan, São Paulo, 14 de janeiro de 1939. Elogio de um clássico da literatura matemática brasileira por outro clássico da literatura infantojuvenil.
Vou voltar, sei que ainda vou voltar
Verso de 'Sabiá' (1968), música de Jobim e letra de Chico Buarque. Vencedora do III FIC no Maracanãzinho em 29 de setembro de 1968 sob a maior vaia já registrada em festivais brasileiros, no contexto direto do AI-5.
Não há livros, Rangel! Nós precisamos entupir este país com uma chuva de livros
Carta a Godofredo Rangel, Caçapava, 16 de janeiro de 1915. Manifesto editorial precoce de Lobato, três anos antes da publicação de 'Urupês' e dez antes da fundação da Companhia Editora Nacional.
Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça
Verso de abertura de 'Garota de Ipanema' (1962), música de Jobim e letra de Vinicius de Moraes. Composta no piano da Rua Barão da Torre e em Petrópolis; primeira gravação por Pery Ribeiro em 1962, consagração internacional no álbum Getz/Gilberto (1964).
