Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
5359 notas · última:
O homem absurdo vive sua aventura no tempo que lhe cabe. Esse é o seu campo, essa é a sua ação, que ele protege de qualquer juízo que não o seu
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Liberdade Absurda. O campo do homem absurdo é o tempo, e o único juízo que conta é o próprio.
Para que precisaríamos de Deus? Para o possível, os homens bastam
Lev Shestov, citado por Camus em O Mito de Sísifo. Só recorremos a Deus para obter o impossível. Para o possível, os homens se bastam.
Se a única história significativa do pensamento humano fosse escrita, teria de ser a história dos seus arrependimentos sucessivos e das suas impotências
Camus em O Mito de Sísifo (1942). A história do pensamento humano é a história de quem tentou entender o mundo e falhou, vez após vez.
Criamos sistemas para negar a morte
Tese central de A Negação da Morte (1973) de Ernest Becker, Pulitzer. Toda civilização é um sistema simbólico de defesa contra o conhecimento da própria mortalidade.
Todas as grandes ações e todos os grandes pensamentos têm um início ridículo
Frase de Albert Camus em O Mito de Sísifo (1942). A versão popular com 'coisas' é uma simplificação — o original diz 'ações e pensamentos'.
Vivemos no futuro: 'amanhã', 'mais tarde', 'quando você tiver seu caminho'. Essas irrelevâncias são admiráveis, pois, afinal, trata-se de morrer
Camus em O Mito de Sísifo (1942). O hábito de adiar a vida para o futuro é admirável de tão absurdo, porque no fim trata-se apenas de morrer.
Enquanto a mente se cala, tudo se arranja na unidade da sua nostalgia. Ao primeiro movimento, o mundo racha: fragmentos cintilantes se oferecem ao entendimento
Camus em O Mito de Sísifo (1942). A nostalgia da unidade é o motor do drama humano: queremos que o mundo faça sentido, mas ao primeiro gesto de pensamento ele se estilhaça.
Saber que não há amanhã garantido é o que libera: se nada é prometido, nada é devido
Paráfrase de O Mito de Sísifo (1942). Camus propõe trocar a liberdade a serviço do amanhã por uma liberdade a serviço do hoje, já que a morte é certa.
Camus: a esperança é suicídio filosófico
Em O Mito de Sísifo, Camus chama de suicídio filosófico todo salto de fé que troca o absurdo pela esperança. Esperar é desistir de pensar.
Spinoza: ninguém se mata pela própria natureza — todo suicídio é servidão, não liberdade
Para Spinoza, todo suicídio é capitulação a causas externas. O ato que se apresenta como liberdade suprema é servidão total: o corpo vencido por afetos que já não consegue resistir.
O que se denomina uma razão para viver é ao mesmo tempo uma excelente razão para morrer
Camus em O Mito de Sísifo (1942). As convicções que dão sentido à vida são as mesmas pelas quais se aceita morrer.
Não há senão um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio
Frase de abertura de O Mito de Sísifo (1942). Camus coloca o suicídio como a questão inaugural da filosofia: julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida.
Se eu me matar por projeto, me igualo a Deus
Paráfrase de Kirílov em Os Demônios (1872) de Dostoiévski. O suicídio por decisão filosófica, não por desespero, como prova da liberdade absoluta do homem.
Peter Senge — A Quinta Disciplina
Senge levou o pensamento sistémico para dentro das organizações. A Quinta Disciplina propõe cinco práticas para criar organizações que aprendem.
Norbert Wiener e a Cibernética
Wiener formalizou a ideia de feedback como mecanismo de controlo em máquinas e organismos. A Cibernética influenciou tudo, da engenharia à sociologia.
Maturana e Varela — Autopoiese
Maturana e Varela propuseram que sistemas vivos se definem por se produzirem a si mesmos. A autopoiese reformulou o que significa estar vivo.
Gregory Bateson — Steps to an Ecology of Mind
Bateson cruzou antropologia, psiquiatria, biologia e cibernética numa obra inclassificável. Steps to an Ecology of Mind reúne três décadas desse percurso.
Fritjof Capra — A Teia da Vida
Capra sintetizou autopoiese, teoria de Gaia e pensamento sistémico numa visão unificada dos sistemas vivos. A Teia da Vida é o seu livro mais maduro.
Donella Meadows — Thinking in Systems
Meadows escreveu o livro mais claro sobre pensamento sistémico. Publicado postumamente em 2008, ensina a ver stocks, flows e feedback loops em qualquer sistema.
Utilitarismo — os três pilares
Princípio da utilidade, consequencialismo e imparcialidade: o tripé do utilitarismo clássico de Bentham e Mill.
John Stuart Mill
Mill reformou o utilitarismo de Bentham, defendeu a liberdade individual e o voto feminino, e escreveu o manual padrão de economia política do século XIX.
Jeremy Bentham
Bentham fundou o utilitarismo como sistema, propôs o cálculo felicífico e influenciou reformas penais e sociais no século XIX.
Guia de Estudo — Mandarim para Viagem à China (2027)
Plano de 12 meses para aprender mandarim funcional — vocabulário por blocos, etiqueta de negócios e ferramentas.
Write broken commits for better review
The article argues that intentionally broken commits can make code review easier when they separate mechanical changes from real ones, especially under squash merges and AI-assisted development.
Probabilistic engineering and the 24-7 employee
Software is shifting from deterministic code to probabilistic engineering, where generation is cheap, validation is scarce, and teams must reorganize around agent fleets, selection, and review.
Engenharia de software na era da IA: novo jogo, novas regras
A IA desloca o trabalho de devs do ato de escrever código para especificar, verificar, proteger e direcionar sistemas, elevando risco, exigência de guardrails e o papel da engenharia.
Negri: mobilidade imóvel vs materialismo do porvir
Negri nomeia a elipse gravitacional da esquerda: movimento contínuo sem ir a lugar algum. O antídoto é um materialismo do porvir que constrói futuro no presente.
Fazer da angústia combustível: Foucault contra a paralisia
Divan inverte o quadro — em vez de paralisia pela falta de respostas prontas, angústia como combustível. O poder que nos atravessa também nos ensina.
A história não julga porra nenhuma
Divan demole o consolo messiânico: nazistas e torturadores morreram em casa. Se a história não é tribunal pendente, a exigência de acção passa inteira ao presente.
O gozo da derrota: Darcy Ribeiro virou vacina contra vencer
Divan critica o uso de 'não gostaria de estar ao lado dos vencedores' como programa de vida. A derrota vira identidade, e perder limpo vira estética.
Esperança política sem teleologia: Brown contra o providencialismo
Brown convoca a esquerda a formular esperança política que não se apoie na muleta teleológica de achar que a história marcha automaticamente do seu lado.
A esquerda como força conservadora: de CLT-saudosa a incel-estrutural
Divan e Abau convergem: agarrada a categorias de outra época, a esquerda vira força conservadora; e a nostalgia do sindicatão partilha estrutura com o lamento redpill.
Se a deles é distopia, a nossa tem que ser utopia
A direita tem um plano concreto de futuro, ainda que apocalíptico. Opor-se a ele não é, por si só, um plano — e a esquerda não tem coragem de nomear sua utopia.
Nostalgia-melancolia vs nostalgia-Fisher: futuros cobrados
Fisher oferece a saída: não glorificar passado intocável, mas cobrar os futuros que esse passado prometia. Nostalgia-melancolia aprisiona; nostalgia-Fisher exige.
O 'Nostradamus de aplicativo' e a ortodoxia já descrita em 1999
Divan e Abau mostram que o esquerdista-Nostradamus das redes e o embate ortodoxos×identitários são diagnósticos feitos por Brown na virada do milênio.
As três chagas da crise da esquerda segundo Wendy Brown
Brown identifica três ingredientes do caldeirão melancólico — triunfo neoliberal (Thatcher, Reagan, Gingrich), metamorfose cultural e queda do socialismo real.
Governo é como feijão, só funciona na panela de pressão
Máxima cunhada por Frei Betto entre 2003 e 2004 sobre a relação entre governo e movimentos populares; circula em variações coloquiais no debate brasileiro.
Will Durant
Historiador e filósofo americano (1885–1981). Popularizou a filosofia com The Story of Philosophy (1926) e escreveu com Ariel os 11 volumes de The Story of Civilization.
S3 + CloudFront como default para sites estáticos
Depois de migrar o Scholion do Azure, o padrão S3 + CloudFront (bucket privado, OAC, CloudFront Function, cache diferenciado) revela-se como o default comoditizado.
Não me preocupo com idade, me preocupo com eternidade
Paráfrase destilada de Mario Quintana. A formulação original fala em estar vivo ou morto — e lembra que a promessa é a eternidade.
