Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
1929 notas · última:
Etimologia de 離 (Lei — Lí / lei4)
Etimologia de 離 (lei / lí / lei4): separar, distância, partir. Composto fonossemântico de 隹 (zhuī, ave) + 离 (lí, fonético). Significado original no Shuowen: 'oriole-amarelo (lí-huáng/cāng-gēng); seu canto faz nascer os bichos-da-seda'. O sentido 'separar/partir' é empréstimo fonético — para 'pássaro' foi criado depois 鸝/鵹. Um dos oito trigramas do Yijing (☲, fogo). Aparece em kui lei 距離 (distância) no Hai Tong por Moy Yat — termo técnico para distância entre praticantes.
Etimologia de 雙 (Seung — Shuāng / soeng1)
Etimologia de 雙 (seung / shuāng / soeng1): par, duplo, dois, ambos. Composto ideográfico de 雔 (chóu, par de aves) + 又 (yòu, mão). Significado original no Shuowen: 'duas aves; do 雔, e uma mão segurando-as'. Atestado em manuscritos Chu Estados Combatentes. Aparece em seung sau 雙手 (par de mãos, ambas mãos) no Hai Tong por Moy Yat — termo técnico para trabalho com ambas as mãos.
Etimologia de 量 (Leung — Liáng / loeng4)
Etimologia de 量 (leung / liáng / loeng4): medir, pesar, quantidade, capacidade. Composto fonossemântico segundo Shuowen — 重 (zhòng, peso) abreviado + 曏 (xiàng, fonético) abreviado. Significado original: 'pesar leve e pesado' (稱輕重). Atestado desde oracle Shang. Leitura dupla: liáng (verbo, medir) / liàng (substantivo, quantidade) — distinção tonal opositiva. Termo central no vocabulário pedagógico do Hai Tong por Moy Yat — em compostos como dou leung 度量 (capacidade/medida), si leung 思量 (refletir-pesar).
Etimologia de 集 (Jaap — Jí / zaap6)
Etimologia de 集 (jaap / jí / zaap6): reunir, juntar, coletar. Forma reduzida de 雧 (forma plena). Composto ideográfico de 隹 (zhuī, ave) + 木 (mù, árvore). Significado original no Shuowen: 'um grupo de aves pousadas na árvore'. Por extensão semântica: qualquer reunião/coleção. Atestado desde oracle Shang. Aparece em jaap jung 集中 (concentração; juntar no centro) no Hai Tong por Moy Yat — termo central da pedagogia da atenção.
Etimologia de 近 (Gan — Jìn / gan6)
Etimologia de 近 (gan / jìn / gan6): próximo, perto, aproximadamente. Composto fonossemântico de 辵 (chuò, andar) + 斤 (jīn, fonético). Significado original no Shuowen: 'aderir, anexar' (附). Atestado em manuscritos Chu Guodian (Estados Combatentes). Aparece em gan lei 近利 ('lucro próximo/imediato', em oposição ao benefício duradouro) no contexto do Hai Tong por Moy Yat — termo crítico do vocabulário pedagógico, alertando contra o foco no resultado imediato em detrimento do cultivo de longo prazo.
Etimologia de 新 (San — Xīn / san1)
Etimologia de 新 (san / xīn / san1): novo, recente. Composto ideográfico de 斤 (jīn, machado) + 木 (mù, madeira) + 辛 (xīn, fonético). Significado original no Shuowen: 'cortar madeira' — 新 era originalmente o caractere para 'lenha recém-cortada' (depois substituído por 薪). O sentido moderno 'novo' deriva do gesto fresco do corte. Atestado em oracle Shang. Termo central no vocabulário do Hai Tong por Moy Yat — em compostos como san saang 新生 (vida nova), san sik 新識 (novo conhecimento).
Etimologia de 時 (Si — Shí / si4)
Etimologia de 時 (si / shí / si4): tempo, estação, hora, momento. Composto fonossemântico de 日 (sol) + 寺 (sì, fonético, derivado de 之 zhī). Forma antiga (古文) 旹 — composta de 日 + 之 (zhī, ir). Significado original no Shuowen: 'as quatro estações' (四時). Por extensão: ano, mês, dia, hora, e o tempo em sentido geral. Atestado em bronze Primavera-Outono. Em chinês clássico, 時 nomeia o tempo enquanto sequência de estações — o tempo cíclico-cosmológico.
Etimologia de 半 (Bun — Bàn / bun3)
Etimologia de 半 (bun / bàn / bun3): metade, semi-. Composto ideográfico (會意) de 八 (dividir) + 牛 (boi). Significado original no Shuowen: 'divisão do objeto pelo meio; do 八 e do 牛, pois o boi é grande e pode ser dividido'. Atestado em bronze Primavera-Outono médio. Aparece em Luk Dim Bun Gwan 六點半棍 (Bastão dos Seis Pontos e Meio) no Hai Tong por Moy Yat — o 'meio-ponto' da arma.
Etimologia de 兩 (Leung — Liǎng / loeng5)
Etimologia de 兩 (leung / liǎng / loeng5): dois, par, ambos; unidade de peso (tael). Composto de 一 + 㒳 (liǎng, par/divisão equilibrada). Significado original no Shuowen: '24 zhū fazem um liǎng' — unidade de medida de peso derivada do sistema musical da nota base 黃鍾. Por extensão semântica antiga: 'dois, par, ambos'. Atestado desde bronze Zhou Ocidental inicial. Aparece em leung sau 兩手 (duas mãos/par de mãos) no Hai Tong por Moy Yat — termo técnico para trabalho em par de mãos.
Etimologia de 九 (Gau — Jiǔ / gau2)
Etimologia de 九 (gau / jiǔ / gau2): nove. Pictograma — Shuowen: 'mutação do yang; imagem da forma curvada que se exauriu'. Ding Shan (Shu Ming Gu Yi) propõe leitura paleográfica como pictograma do cotovelo (肘) — braço dobrado. Atestado em oracle Shang. Número do yang em mutação no Yijing (老陽 — yang velho que se transforma). Aparece em Kowloon 九龍 ('nove dragões'), bairro de Hong Kong onde Moy Yat ensinou e onde está localizada parte da história do Sistema Ving Tsun no Hai Tong.
Etimologia de 八 (Baat — Bā / baat3)
Etimologia de 八 (baat / bā / baat3): oito. Pictograma — Shuowen: 'separar; imagem de duas coisas se afastando uma da outra'. Significado original foi 'dividir/separar'; o uso como numeral 'oito' é empréstimo fonético (假借). Atestado desde oracle Shang. Comentadores Qing (Lin Yiguang, Gao Hongjin) consensualmente confirmam: 八 e 分 (dividir) são originalmente o mesmo caractere. Aparece em Baat Jaam Do 八斬刀 (Facas dos Oito Cortes) no Hai Tong por Moy Yat — arma fundamental do Ving Tsun.
Etimologia de 六 (Luk — Liù / luk6)
Etimologia de 六 (luk / liù / luk6): seis. Pictograma/ideograma — Shuowen: 'número do Yijing; o yin transforma-se em 6 e se fixa em 8'. Composição: 入 (entrar) + 八 (dividir/oito). Atestado desde oracle Shang. No Yijing, 6 representa o yin em transformação (mutável), enquanto 8 representa o yin em estabilidade. Aparece em Luk Dim Bun Gwan 六點半棍 (Bastão dos Seis-Pontos-e-Meio) no Hai Tong por Moy Yat — arma fundamental do Ving Tsun.
Etimologia de 四 (Sei — Sì / sei3)
Etimologia de 四 (sei / sì / sei3): quatro. Pictograma — Shuowen: 'número do yin; imagem da forma quadripartida'. Forma arcaica 亖 (籀文): quatro linhas horizontais paralelas (paralelo a 一/二/三). A forma moderna 四 substituiu 亖 já na escrita Shang tardia. Atestado em oracle Shang. Aparece em Sei Ping Daai Ma 四平大馬 (cavalo quadripartido nivelado), postura clássica do kung fu sul-chinês, presente no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 二 (Yi — Èr / ji6)
Etimologia de 二 (yi / èr / ji6): dois. Pictograma puro — duas linhas horizontais paralelas. Significado original no Shuowen: 'o número da Terra' — em oposição a 一 (Céu/unidade). Numeral fundamental do sistema chinês, atestado desde oracle Shang. Forma 弍 é variante antiga (古文). Aparece em yi ji 二字 (caractere 二) no nome da postura yi ji kim yeung ma 二字鉗羊馬 — postura fundamental do Ving Tsun no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 才 (Choi — Cái / coi4)
Etimologia de 才 (choi / cái / coi4): talento, capacidade, broto, recém-aparecer. Pictograma — Shuowen: 'o início de plantas e árvores; um traço vertical atravessa um horizontal, prestes a gerar galhos e folhas; o horizontal é a terra'. Atestado massivamente em oracle Shang. Segundo Duan Yucai, do broto que ainda não floresceu mas já contém em si toda a árvore deriva a noção de 'talento humano' — aquilo que o ser humano contém em potencial. Aparece em saam choi 三才 ('Três Potências' — Céu/Terra/Homem) no Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 板 (Baan — Bǎn / baan2)
Etimologia de 板 (baan / bǎn / baan2): tábua, prancha, placa. Composto fonossemântico de 木 (madeira) + 反 (fǎn, fonético). Variante posterior do antigo 版 — caractere com radical 片 (fragmento dividido) usado no Shuowen. Atestado em manuscritos Chu dos Estados Combatentes. Por extensão semântica: rígido, sem flexibilidade, batida acentuada na música. Aparece em koi hak baan sik 蓋刻板式 ('cobrindo-gravando-tábua-fórmula' — molde rígido) no contexto do Hai Tong por Moy Yat — crítica à forma engessada do treino.
Etimologia de 文 (Man — Wén / man4)
Etimologia de 文 (man / wén / man4): padrão entrelaçado, escrita, civilização, cultivo. Pictograma — Shuowen: 'desenhos entrelaçados' (錯畫); leituras epigráficas modernas (Zhu Fangpu) identificam como figura humana de frente com tatuagens rituais no peito. Atestado em oracle Shang (massivo). Caractere fundador de toda a vida letrada chinesa — Wén/Wǔ (civil/marcial) é a dicotomia clássica. Aparece em si man 斯文 (cultivado, refinado) no contexto do Hai Tong por Moy Yat.
Etimologia de 階 (Gaai — Jiē / gaai1)
Etimologia de 階 (gaai / jiē / gaai1): degrau de escada, escadaria, etapa, grau hierárquico. Composto fonossemântico de 𨸏 (variante de 阜, monte/colina) + 皆 (jiē, fonético). Significado original (Shuowen): 陛 (bì) — degraus do palácio. Atestado desde inscrição oracular Shang. Por extensão: caminho, base, ascensão, grau hierárquico. Aparece em gaai duen 階段 (etapa) no contexto do Hai Tong por Moy Yat — sequência de estágios pedagógicos.
Etimologia de 域 (Wik — Yù / wik6)
Etimologia de 域 (wik / yù / wik6): território demarcado, região, domínio. Variante posterior de 或 (forma arcaica que designava 'estado/território') com adição do radical 土 (terra). Atestado em bronze do Zhou Ocidental sob a forma 或. Significado original: estado/área protegida por armas, dentro de uma fronteira (囗) sobre uma terra (一/土). Aparece em ling wik 領域 (território/domínio) no contexto do Hai Tong por Moy Yat. Forma com 領 par técnico — domínio sob comando.
Etimologia de 領 (Ling — Lǐng / ling5)
Etimologia de 領 (ling / lǐng / ling5): pescoço, gola, conduzir, governar. Composto fonossemântico de 頁 (cabeça) + 令 (lìng, fonético). Significado original (Shuowen): a nuca/pescoço — a parte do corpo que liga a cabeça ao tronco. Por extensão: gola da veste, conduzir (como quem segura pela nuca), receber, administrar. Aparece em ling wik 領域 (território/domínio) no contexto do Hai Tong por Moy Yat. Forma com 域 par técnico — domínio sob comando.
Wuxia (mandarim, literário) vs Kung Fu (cantonês, popular) no cinema
Wuxia pian (武俠片) e kung fu film são duas linhagens cinematográficas com vocabulários distintos: mandarim literário vs cantonês coloquial. A escolha lexical explica por que kung fu colou globalmente, e não wushu.
Qi Jiguang e o Jixiao Xinshu
General da dinastia Ming (1528–1588), escreveu o Jixiao Xinshu — primeira catalogação preservada de artes marciais por militar chinês. 32 versos descrevendo cerca de 40 posturas de combate desarmado.
Amiot e a primeira menção ocidental de Cong-Fou
Jesuíta francês em Pequim (1718–1793), publicou em 1779 o primeiro registro ocidental do termo 功夫. Descreveu Cong-Fou como ginástica médica taoísta, não como artes marciais — a confusão de domínios começa aí.
Zhou Youguang, o longevo arquiteto do pinyin
Zhou Youguang (1906–2017) liderou a comissão que criou o Hanyu Pinyin entre 1955 e 1958. Era economista; foi convocado para o trabalho de linguística aos 50 anos.
Etimologia de 羊 (Yeung — Yáng / joeng4)
Etimologia de 羊 (yeung / yáng / joeng4): carneiro, ovino. Pictograma da cabeça de carneiro vista de frente — chifres, cabeça, pernas e cauda. Caractere antigo, atestado em 98 inscrições oraculares Shang. Glosa Shuowen: 'auspicioso' (祥). Componente fundador da família semântica do bom e do belo (善, 義, 美). Aparece em yi ji kim yeung 二字鉗羊馬 ('cavalo do caractere dois pinçando o carneiro') no Siu Nim Tao do Hai Tong por Moy Yat — postura fundamental do Ving Tsun.
Etimologia de 繡 (Sau — Xiù / sau3)
Etimologia de 繡 (sau / xiù / sau3): bordar, bordado. Composto fonossemântico de 糸 (fio de seda) + 肅 (sù, fonético). Significado original (Shuowen): 'cinco cores completas' — bordado policromático ritualizado das vestes imperiais. Aparece em fa kuen sau tui 花拳繡腿 ('punhos de flor, pernas bordadas') no contexto do Hai Tong por Moy Yat — expressão crítica que designa kung fu apenas decorativo, sem substância marcial.
Cultura como tudo aquilo que, no uso de qualquer coisa, se manifesta além do mero valor de uso
Definição antropológica de cultura formulada por Gilberto Gil no discurso de posse no Ministério da Cultura (2003), arquivado pelo Instituto Gilberto Gil.
Das feridas que a pobreza cria sou o pus / Sou o que de resto restaria aos urubus
Versos de 'Punk da Periferia' (1983), em que Gilberto Gil incorpora a voz do excluído urbano em primeira pessoa, sem mediação compassiva.
Os lucros são muito grandes / Mas ninguém quer abrir mão, não / Mesmo uma pequena parte / Já seria a solução
Versos de 'Nos Barracos da Cidade' (1985), canção em parceria com Liminha que nomeia a concentração de renda como problema sem mediação retórica.
Toda menina baiana tem encanto que Deus dá
Refrão de 'Toda Menina Baiana' (1979, álbum *Realce*), canção que Gilberto Gil compôs como tributo à filha Nara e à mítica fundacional da Bahia.
Começou a circular o Expresso 2222 / Que parte direto de Bonsucesso pra depois
Versos de abertura de 'Expresso 2222' (1972), faixa-título do álbum gravado após o retorno do exílio em Londres.
Tenho que ficar a sós / Tenho que apagar a luz / Tenho que calar a voz
Versos de 'Se Eu Quiser Falar com Deus' (1980), canção que Roberto Carlos recusou por dispensar mediação religiosa e que Elis Regina gravou primeiro.
A negritude na minha família apareceu comigo, praticamente
Fala de Gilberto Gil ao Roda Viva (1996) sobre o projeto de branqueamento da própria família e a sua afirmação tardia da identidade negra.
Quem diz uma coisa com dez palavras é porque não pode dizer com cinco
Aforismo de Gilberto Gil sobre concisão verbal, registrado em entrevista à revista *ISTOÉ Gente* em dezembro de 2004, durante seu período de Ministro da Cultura.
Sou um ministro hacker. Um cantor hacker
Resposta de Gilberto Gil em junho de 2008 sobre a alcunha 'ministro hacker' que o sociólogo Sérgio Amadeu lhe atribuiu durante a gestão no MinC.
O acesso à cultura é um direito básico de cidadania, assim como o direito à educação, à saúde
Equiparação que Gilberto Gil fez no discurso de posse no Ministério da Cultura (2003), inscrevendo cultura no rol dos direitos sociais constitucionais.
Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, criar condições de acesso universal aos bens simbólicos
Frase central do discurso de posse de Gilberto Gil como Ministro da Cultura, em 2 de janeiro de 2003, definindo o papel do Estado em política cultural.
Alô, alô, seu Chacrinha, velho guerreiro / Alô, alô, Terezinha, Rio de Janeiro
Saudações de 'Aquele Abraço' (1969) que entronizam o apresentador Chacrinha como referência tropicalista contra a TV brasileira bem-comportada.
Aqui é o fim do mundo
Refrão de 'Marginália II' (1968), parceria de Gilberto Gil com Torquato Neto no álbum tropicalista *Gilberto Gil* gravado com Os Mutantes.
A refavela revela o salto / que o preto pobre tenta dar / quando se arranca do seu barraco / prum bloco do BNH
Versos de 'Refavela' (1977), em que Gilberto Gil nomeia o reassentamento das favelas em conjuntos habitacionais como salto incompleto do preto pobre.
