Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
2131 notas · última:
O que importa não é a vida eterna, e sim a eterna vivacidade
Nietzsche em Humano, Demasiado Humano (1878). A vida eterna não interessa. O que interessa é a intensidade viva de cada momento — a eterna vivacidade.
A Igreja repudiava no ator a multiplicação herética de almas
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo Drama. A Igreja via no ator uma heresia: viver várias almas negava a unicidade da alma que a doutrina exigia.
Vi pessoas agir mal com muita moralidade e constato todos os dias que a honestidade não precisa de regras
Frase de Albert Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo 'O Homem Absurdo'. A versão popular em português altera o sentido do original.
O ator reina no perecível. De todas as glórias, a dele é a mais efêmera. Mas todas as glórias são efêmeras
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo Drama. O ator é o herói absurdo que sabe que sua glória morre com ele. Mas toda glória morre — ele apenas não se engana.
Não existem vários amores. Existem várias relações únicas, e quanto mais se vive, mais ricas
Paráfrase de Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo Don Juanismo. Don Juan ama cada vez com todo o seu ser. Não há amor total, há repetição intensa.
Mestre Guilherme Farias: Os três pilares de Kung Fu - trabalho, energia, maturidade
Proposta de Mestre Guilherme de Farias sobre o que é Kung Fu 功夫 (Gōngfu / gung1 fu1) como três camadas de prática: trabalho mecânico 工 (Gōng / gung1), energia aplicada 力 (Lì / lik6) e o transbordamento para a vida 夫 (Fū / fu1).
O homem absurdo vive sua aventura no tempo que lhe cabe. Esse é o seu campo, essa é a sua ação, que ele protege de qualquer juízo que não o seu
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Liberdade Absurda. O campo do homem absurdo é o tempo, e o único juízo que conta é o próprio.
Para que precisaríamos de Deus? Para o possível, os homens bastam
Lev Shestov, citado por Camus em O Mito de Sísifo. Só recorremos a Deus para obter o impossível. Para o possível, os homens se bastam.
Se a única história significativa do pensamento humano fosse escrita, teria de ser a história dos seus arrependimentos sucessivos e das suas impotências
Camus em O Mito de Sísifo (1942). A história do pensamento humano é a história de quem tentou entender o mundo e falhou, vez após vez.
Criamos sistemas para negar a morte
Tese central de A Negação da Morte (1973) de Ernest Becker, Pulitzer. Toda civilização é um sistema simbólico de defesa contra o conhecimento da própria mortalidade.
Todas as grandes ações e todos os grandes pensamentos têm um início ridículo
Frase de Albert Camus em O Mito de Sísifo (1942). A versão popular com 'coisas' é uma simplificação — o original diz 'ações e pensamentos'.
Vivemos no futuro: 'amanhã', 'mais tarde', 'quando você tiver seu caminho'. Essas irrelevâncias são admiráveis, pois, afinal, trata-se de morrer
Camus em O Mito de Sísifo (1942). O hábito de adiar a vida para o futuro é admirável de tão absurdo, porque no fim trata-se apenas de morrer.
Enquanto a mente se cala, tudo se arranja na unidade da sua nostalgia. Ao primeiro movimento, o mundo racha: fragmentos cintilantes se oferecem ao entendimento
Camus em O Mito de Sísifo (1942). A nostalgia da unidade é o motor do drama humano: queremos que o mundo faça sentido, mas ao primeiro gesto de pensamento ele se estilhaça.
Saber que não há amanhã garantido é o que libera: se nada é prometido, nada é devido
Paráfrase de O Mito de Sísifo (1942). Camus propõe trocar a liberdade a serviço do amanhã por uma liberdade a serviço do hoje, já que a morte é certa.
Camus: a esperança é suicídio filosófico
Em O Mito de Sísifo, Camus chama de suicídio filosófico todo salto de fé que troca o absurdo pela esperança. Esperar é desistir de pensar.
Spinoza: ninguém se mata pela própria natureza — todo suicídio é servidão, não liberdade
Para Spinoza, todo suicídio é capitulação a causas externas. O ato que se apresenta como liberdade suprema é servidão total: o corpo vencido por afetos que já não consegue resistir.
O que se denomina uma razão para viver é ao mesmo tempo uma excelente razão para morrer
Camus em O Mito de Sísifo (1942). As convicções que dão sentido à vida são as mesmas pelas quais se aceita morrer.
Não há senão um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio
Frase de abertura de O Mito de Sísifo (1942). Camus coloca o suicídio como a questão inaugural da filosofia: julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida.
Se eu me matar por projeto, me igualo a Deus
Paráfrase de Kirílov em Os Demônios (1872) de Dostoiévski. O suicídio por decisão filosófica, não por desespero, como prova da liberdade absoluta do homem.
Peter Senge — A Quinta Disciplina
Senge levou o pensamento sistémico para dentro das organizações. A Quinta Disciplina propõe cinco práticas para criar organizações que aprendem.
Norbert Wiener e a Cibernética
Wiener formalizou a ideia de feedback como mecanismo de controlo em máquinas e organismos. A Cibernética influenciou tudo, da engenharia à sociologia.
Maturana e Varela — Autopoiese
Maturana e Varela propuseram que sistemas vivos se definem por se produzirem a si mesmos. A autopoiese reformulou o que significa estar vivo.
Gregory Bateson — Steps to an Ecology of Mind
Bateson cruzou antropologia, psiquiatria, biologia e cibernética numa obra inclassificável. Steps to an Ecology of Mind reúne três décadas desse percurso.
Fritjof Capra — A Teia da Vida
Capra sintetizou autopoiese, teoria de Gaia e pensamento sistémico numa visão unificada dos sistemas vivos. A Teia da Vida é o seu livro mais maduro.
Donella Meadows — Thinking in Systems
Meadows escreveu o livro mais claro sobre pensamento sistémico. Publicado postumamente em 2008, ensina a ver stocks, flows e feedback loops em qualquer sistema.
Utilitarismo — os três pilares
Princípio da utilidade, consequencialismo e imparcialidade: o tripé do utilitarismo clássico de Bentham e Mill.
John Stuart Mill
Mill reformou o utilitarismo de Bentham, defendeu a liberdade individual e o voto feminino, e escreveu o manual padrão de economia política do século XIX.
Jeremy Bentham
Bentham fundou o utilitarismo como sistema, propôs o cálculo felicífico e influenciou reformas penais e sociais no século XIX.
Guia de Estudo — Mandarim para Viagem à China (2027)
Plano de 12 meses para aprender mandarim funcional — vocabulário por blocos, etiqueta de negócios e ferramentas.
Negri: mobilidade imóvel vs materialismo do porvir
Negri nomeia a elipse gravitacional da esquerda: movimento contínuo sem ir a lugar algum. O antídoto é um materialismo do porvir que constrói futuro no presente.
Fazer da angústia combustível: Foucault contra a paralisia
Divan inverte o quadro — em vez de paralisia pela falta de respostas prontas, angústia como combustível. O poder que nos atravessa também nos ensina.
A história não julga porra nenhuma
Divan demole o consolo messiânico: nazistas e torturadores morreram em casa. Se a história não é tribunal pendente, a exigência de acção passa inteira ao presente.
O gozo da derrota: Darcy Ribeiro virou vacina contra vencer
Divan critica o uso de 'não gostaria de estar ao lado dos vencedores' como programa de vida. A derrota vira identidade, e perder limpo vira estética.
Esperança política sem teleologia: Brown contra o providencialismo
Brown convoca a esquerda a formular esperança política que não se apoie na muleta teleológica de achar que a história marcha automaticamente do seu lado.
A esquerda como força conservadora: de CLT-saudosa a incel-estrutural
Divan e Abau convergem: agarrada a categorias de outra época, a esquerda vira força conservadora; e a nostalgia do sindicatão partilha estrutura com o lamento redpill.
Se a deles é distopia, a nossa tem que ser utopia
A direita tem um plano concreto de futuro, ainda que apocalíptico. Opor-se a ele não é, por si só, um plano — e a esquerda não tem coragem de nomear sua utopia.
Nostalgia-melancolia vs nostalgia-Fisher: futuros cobrados
Fisher oferece a saída: não glorificar passado intocável, mas cobrar os futuros que esse passado prometia. Nostalgia-melancolia aprisiona; nostalgia-Fisher exige.
O 'Nostradamus de aplicativo' e a ortodoxia já descrita em 1999
Divan e Abau mostram que o esquerdista-Nostradamus das redes e o embate ortodoxos×identitários são diagnósticos feitos por Brown na virada do milênio.
As três chagas da crise da esquerda segundo Wendy Brown
Brown identifica três ingredientes do caldeirão melancólico — triunfo neoliberal (Thatcher, Reagan, Gingrich), metamorfose cultural e queda do socialismo real.
Governo é como feijão, só funciona na panela de pressão
Máxima cunhada por Frei Betto entre 2003 e 2004 sobre a relação entre governo e movimentos populares; circula em variações coloquiais no debate brasileiro.
