Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
1929 notas · última:
Clarke's third law: Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic
Publicada em carta à revista Science em 19 de janeiro de 1968 e incorporada à revisão de 1973 de 'Profiles of the Future'.
Clarke's second law: The only way of discovering the limits of the possible is to venture a little way past them into the impossible
Aparece no mesmo ensaio de 1962 como observação solta. Virou 'segunda lei' só em 1973, quando Clarke acrescentou a terceira.
Clarke's first law: When a distinguished but elderly scientist states that something is possible, he is almost certainly right; when he states that something is impossible, he is very probably wrong
Publicada por Arthur C. Clarke em 'Hazards of Prophecy', ensaio de 'Profiles of the Future' (1962). Só chamada de 'primeira lei' depois da segunda e terceira.
Grey's Law: Any sufficiently advanced incompetence is indistinguishable from malice
Paródia da 3ª lei de Clarke. Atribuição a 'Grey' não corroborada; registro mais antigo é de 2002 em Usenet.
Newton's flaming laser sword: What cannot be settled by experiment is not worth debating
Publicada por Mike Alder em 'Newton's Flaming Laser Sword' (Philosophy Now nº 46, 2004). Mais agressiva que a navalha de Occam.
Sagan standard: Extraordinary claims require extraordinary evidence
Popularizada por Carl Sagan em 'Cosmos' (1980). Formulações anteriores: Truzzi (1975), Laplace (1810), Hume (1748).
Hitchens's razor: What can be asserted without evidence can also be dismissed without evidence
Publicada por Christopher Hitchens em 'God Is Not Great' (2007). Raiz latina: 'Quod gratis asseritur, gratis negatur'.
Occam's razor: Entities must not be multiplied beyond necessity
Princípio atribuído a Guilherme de Ockham (séc. XIV). A versão latina famosa é de John Punch (1639); Ockham escreveu variantes próximas.
Hanlon's razor: Never attribute to malice that which is adequately explained by stupidity
Formulação de 1980 de Robert J. Hanlon em 'Murphy's Law Book Two'. A atribuição a Napoleão é mito sem fonte primária.
A vida não examinada não é vivível para o homem
Dita por Sócrates em seu julgamento em 399 a.C., conforme registrado por Platão na Apologia (38a), ao recusar o exílio como pena alternativa à morte.
Ninguém faz o mal voluntariamente
Paradoxo socrático comumente atribuído a Aristóteles por engano. A formulação é de Sócrates, via Platão; Aristóteles na verdade a refuta com o conceito de akrasia.
O capitalismo é uma religião. É provavelmente o primeiro caso de um culto que não expia, mas universaliza a culpa
Walter Benjamin, fragmento 'Kapitalismus als Religion' (1921). O capitalismo como culto permanente que gera culpa em vez de redimi-la — inclusive nos próprios operadores do sistema.
Diante de uma contradição, faça uma distinção
Adágio escolástico sem autor individual; William James popularizou-o em What Pragmatism Means (1907) como método para dissolver disputas.
Mestre Thiago Silva: A arte de saber viver a própria vida
Proposta de Mestre Thiago Silva (Moy Chi Yau Si 梅知友士) no terceiro encontro do Programa de Mestrado: Kung Fu como arte de saber viver a própria vida, de acordo com os próprios valores. Sem sistema, o Kung Fu para de evoluir e o praticante vira refém de si mesmo. Si Fu desdobra em que não existe Kung Fu sem Sifu: Sifu como função, não como pessoa.
Mestre Pedro Henrique Corrêa: Humanidade é escutar o outro
Proposta de Mestre Pedro Henrique Corrêa (Moy Lei Yat 梅利溢): Kung Fu como habilidade adquirida no tempo, lida pela cultura chinesa como adaptabilidade ao ambiente, não como quantidade ou resultado. Na família Moy Jo Lei Ou, o ponto comum é a humanidade, e humanidade é escutar o outro. Si Fu desdobra em que qualquer ambiente com troca favorece Kung Fu, e puxa o conceito de perverso para a conversa.
Weekend in Taipei (2024)
Thriller de ação de George Huang (2024): agente da DEA reencontra motorista mercenária em Taipé enquanto persegue cartel. Coprodução França/Taiwan.
Marcos Davi: Kung Fu é vida
Proposta de Marcos Davi (Moy Dak Bei 梅德貴) sobre Kung Fu como vida: tudo que se faz é campo de refino, e a casa é o lugar de maior exigência. No fim do encontro, ele formula a pergunta que destrava o Si Fu sobre marcialidade: como um sistema marcial pode ser vivenciado sem lutar?
Mestre Márcio Lopes: A arte da excelência e o aretê grego
Proposta de Mestre Márcio Lopes (Moy Si Ou 梅司奧) sobre Kung Fu como a arte da excelência, aplicada ao cotidiano (profissão, relações, convívio). Si Fu desdobra no conceito grego de aretê: fazer precisamente o que precisa ser feito, cumprir o papel dentro do cosmos entendido como organização grega e datada.
Mestre Vladimir Anchieta: Saber se adaptar ao outro
Proposta de Mestre Vladimir Anchieta (Moy Wu Lai 梅護禮) sobre Kung Fu como adaptação: viver de forma adequada ao mundo e saber se adaptar ao outro. Si Fu desdobra a ética de Si Fu: dar ferramentas para o discípulo pensar, em vez de impor a própria crença.
Mestre Claudio Teixeira: Servir - Liderar - Legar
Proposta de Mestre Moy Kat Jo 梅吉祖 (Claudio Teixeira) sobre Kung Fu como calibragem da percepção. Três movimentos: se tudo é reação, só existem ações; escapar da ideia de dirigir; servir, liderar e legar como três formas de serviço.
Le Million (2025)
Comédia franco-belga de Grégoire Vigneron (2025): Stan rouba um milhão de euros do cofre do patrão e tem uma noite para devolver depois de saber que foi promovido.
Good Boy (2025)
Comédia negra de Jan Komasa (2025), coprodução Polônia-Reino Unido: casal abduz jovem criminoso e tenta reabilitá-lo. Com Stephen Graham e Andrea Riseborough.
Kirby the doctor
功夫 gōng fū — etimologia
Decomposição etimológica de 功夫: força (力) aplicada ao trabalho (工), e o homem adulto (大) marcado pelo pino de cabelo (一) que sinaliza maturidade.
La Grazia (2025)
Drama italiano de Paolo Sorrentino (2025) com Toni Servillo: presidente católico da Itália precisa decidir sobre lei de eutanásia e dois pedidos de indulto no fim do mandato.
Philosophers ranked by their punk credentials
Ranking de filósofos por credenciais punk — de Diógenes ('they're not punk, punk is them') a Heidegger ('basically a cop').
A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo final. Não há felicidade sem consciência do absurdo, nem absurdo sem alegria de estar vivo.
Sísifo é a síntese da paixão humana pela vida — mais importante até que a moral
Camus em O Mito de Sísifo (1942). Desprezo pelos deuses, ódio à morte, paixão pela vida. Essas três coisas bastam, mesmo sem moral nem esperança.
Toda criação artística é uma sedimentação: o conjunto de gestos que um indivíduo deixa
Baseado em Camus, O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Criação Efêmera. A obra de um homem se fortalece nos seus aspectos sucessivos e múltiplos.
Se as leis da natureza não pouparam nem Este, então o planeta inteiro é uma mentira
Kirílov em Os Demônios (1872) de Dostoiévski. Se Cristo morreu e não houve paraíso, tudo que se construiu sobre essa promessa é mentira. O sacrifício perfeito foi em vão.
A obra de arte nasce da recusa da inteligência em racionalizar o concreto. Marca o triunfo do carnal
Camus em O Mito de Sísifo (1942). A arte existe onde a razão se recusa a abstrair. O concreto vence o conceito.
O artista, tanto quanto o pensador, mergulha dentro da própria obra e se transforma dentro dela
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Criação Absurda. Criar é viver duplamente: o artista refaz sua realidade e se refaz com ela.
A ciência que deveria me ensinar tudo termina em hipótese, a lucidez naufraga em metáfora, a incerteza se resolve em obra de arte
Camus em O Mito de Sísifo (1942). Se estressarmos a ciência até o fim, ela começa a contemplar. O conhecimento racional encontra seu próprio muro.
Entre a história e o eterno, escolho a história porque prefiro as certezas
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo A Conquista. O conquistador escolhe a história porque dela ao menos tem certeza — o eterno é promessa, a história é o que esmaga.
O que importa não é a vida eterna, e sim a eterna vivacidade
Nietzsche em Humano, Demasiado Humano (1878). A vida eterna não interessa. O que interessa é a intensidade viva de cada momento — a eterna vivacidade.
A Igreja repudiava no ator a multiplicação herética de almas
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo Drama. A Igreja via no ator uma heresia: viver várias almas negava a unicidade da alma que a doutrina exigia.
Vi pessoas agir mal com muita moralidade e constato todos os dias que a honestidade não precisa de regras
Frase de Albert Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo 'O Homem Absurdo'. A versão popular em português altera o sentido do original.
O ator reina no perecível. De todas as glórias, a dele é a mais efêmera. Mas todas as glórias são efêmeras
Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo Drama. O ator é o herói absurdo que sabe que sua glória morre com ele. Mas toda glória morre — ele apenas não se engana.
Não existem vários amores. Existem várias relações únicas, e quanto mais se vive, mais ricas
Paráfrase de Camus em O Mito de Sísifo (1942), capítulo Don Juanismo. Don Juan ama cada vez com todo o seu ser. Não há amor total, há repetição intensa.
Mestre Guilherme Farias: Os três pilares de Kung Fu - trabalho, energia, maturidade
Proposta de Mestre Guilherme de Farias sobre o que é Kung Fu 功夫 (Gōngfu / gung1 fu1) como três camadas de prática: trabalho mecânico 工 (Gōng / gung1), energia aplicada 力 (Lì / lik6) e o transbordamento para a vida 夫 (Fū / fu1).
