Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
2131 notas · última:
Etimologia de 見 (Gin — Jiàn / gin3)
O caractere de ver, radical Kangxi nº 147. O Shuowen glosa 見 como 視也 “ver”; a paleografia o analisa como olho + pessoa ajoelhada, destacando o ato de ver.
Etimologia de 血 (Hyut — Xuè / hyut3)
O pictograma de sangue em recipiente, radical Kangxi nº 143. O Shuowen o define como o sangue sacrificial oferecido em rito; a paleografia o lê como sangue contido num vaso.
Etimologia de 色 (Sik — Sè / sik1)
O radical Kangxi nº 139, associado a cor, aparência, beleza e lust. O Shuowen define 色 como 顏气也 'a expressão/tez do rosto'; CUHK registra a análise paleográfica via o antigo grafismo de 印.
Etimologia de 艮 (Gan — Gèn / gan3)
O radical Kangxi nº 138, associado a dureza, imobilidade e ao trigrama da montanha. O Shuowen explica 艮 como 很也 a partir de 匕 e 目; a tradição paleográfica registra a forma antiga 𥃩.
Etimologia de 舟 (Zau — Zhōu / zau1)
O pictograma de barco, radical Kangxi nº 137. O Shuowen define 舟 como 船也 e o descreve como forma derivada de tronco escavado e remo talhado.
Etimologia de 舌 (Sit — Shé / sit3)
O pictograma da língua, radical Kangxi nº 135. O Shuowen explica 舌 como o que está na boca para falar e distinguir sabores; a paleografia o lê como língua protendida, por vezes modelada na língua bifurcada da serpente.
Etimologia de 臼 (Kau — Jiù / kau5)
O pictograma de almofariz, radical Kangxi nº 134. O Shuowen define 臼 como 舂也 e descreve a escavação no solo e depois em madeira ou pedra; a paleografia lê a cavidade com grão ao centro.
Etimologia de 至 (Zi — Zhì / zi3)
O pictograma de chegada/alcance, radical Kangxi nº 133. O Shuowen explica 至 como ave que desce até o solo; outras fontes analisam a forma como seta que alcança o ponto de chegada.
Etimologia de 臣 (San — Chén / san4)
O radical Kangxi nº 131, associado a "servo", "súdito" e "ministro". O Shuowen o explica como 牽也 e 事君也, "aquele que serve ao soberano", enquanto fontes paleográficas o leem como forma derivada de um olho verticalizado.
Etimologia de 聿 (Jyut — Yù / jyut6)
O radical Kangxi nº 129, glosado nas fontes como pincel; o Shuowen o define como 所以書也, com variantes dialetais antigas 楚謂之聿、吳謂之不律、燕謂之弗.
Etimologia de 耒 (Leoi — Lěi / leoi6)
O radical Kangxi nº 127, ligado ao arado e ao cabo curvo do instrumento de lavra. O Shuowen define 耒 como 'madeira curva para lavrar à mão'; a paleografia da CUHK lê os bronzes como ferramenta bifurcada de revolver a terra.
Etimologia de 而 (Ji — Ér / ji4)
O pictograma de barba/bigode na face, radical Kangxi nº 126. O Shuowen define 而 como 頰毛也 "pelos da face", e as fontes registram posterior empréstimo fonético para usos conjuntivos e gramaticais.
Etimologia de 羽 (Jyu — Yǔ / jyu5)
O pictograma de duas penas, radical Kangxi nº 124. O Shuowen define 羽 como 'pena longa de ave'; a paleografia lê a forma como duas penas ou duas asas de pássaro.
Etimologia de 网 (Mong — Wǎng / mong5)
O pictograma de uma rede aberta, radical Kangxi nº 122. O Shuowen define 网 como a rede de cordas de 庖犧 para pescar; a paleografia lê a forma como uma malha estendida.
Etimologia de 缶 (Fau — Fǒu / fau2)
O pictograma de um recipiente de barro com tampa, radical Kangxi nº 121. O Shuowen define 缶 como vaso de barro para conter vinho ou mosto e nota seu uso rítmico pelos Qin.
Etimologia de 立 (Laap — Lì / laap6)
O ideograma de uma pessoa em pé sobre o chão, radical Kangxi nº 117. O Shuowen glosa 立 como 住也 'ficar de pé; permanecer', e a paleografia o lê como figura humana ereta sobre a terra.
Etimologia de 戈 (Gwo — Gē / gwo1)
O pictograma de uma arma de haste longa, radical Kangxi nº 62. O Shuowen define 戈 como 平頭𢧢也; a paleografia o lê como forma de um antigo arma de lâmina transversal.
O futuro do conhecimento e usar os dois pés para andar
No fecho, sobre o quadro de Rafael: Aristóteles aponta para baixo e convida a usar os dois pés para andar — as quatro causas como técnica de integração do conhecimento, não verdade absoluta.
A causa final que só os outros descobrem
A causa final do indivíduo só se revela postumamente, aos que ficam; daí o existencialismo de Sartre e, na espécie, a seleção natural como causa final.
Penso, logo existo: a depressão como perda da causa eficiente
A causa eficiente do comportamento é o próprio agir; numa ponte com o cogito, a depressão é lida como perda da causa eficiente — deixar de agir é deixar de se reconhecer.
O deus platônico de cada área do saber
A fragmentação disciplinar é um retorno a Platão: cada área ganha seu deus absoluto — Weber, Darwin, Newton — sob cujo jugo o entendimento da realidade fica preso a poucas causas.
Educação para o trabalho, não para o saber
Como método, as quatro causas organizam o pensamento; mas a educação voltada ao trabalho fragmenta o saber em disciplinas e abandona a técnica aristotélica de estudar em função do problema.
As quatro causas de Aristóteles
Pelo exemplo da cadeira, Aristóteles enumera as quatro causas — material, formal, eficiente e final — cuja combinação constitui uma tecnologia para explicar qualquer fenômeno.
As quatro causas de Aristóteles, dos textos ao telos
Material, formal, eficiente e final: os quatro modos de Aristóteles responder 'por quê?'. São quatro, não três, embora ele próprio note que as três últimas costumam coincidir. A causa final é o telos, o fim de toda arte.
Kuen Kuit: 甩手直衝 (Lat Sau Jik Chung)
Kuen Kuit do Ving Tsun. Si Gung o colocou como corolário do Luk Sau no final do Siu Nim Tau. Lê-se Lat Sau Jik Chung (Cantonês) ou Shuǎi Shǒu Zhí Chōng (Mandarim). Leitura corrente: quando a mão se solta, o impulso reto avança. Livre do contato, o gesto vai à frente sem intervalo.
Por que o Ocidente chamou o combate de 'arte'
No séc. XVI, 'arte' (ou 'ciência') aplicada ao combate queria dizer um corpo de princípios racionais e ensináveis, em contraste com a briga. E era um lance contra a hierarquia clássica, que punha a arte das armas entre as ocupações indignas do corpo.
Etimologia de 卜 (Buk — Bǔ / buk1)
O grafismo da adivinhação, radical Kangxi nº 25. O Shuowen lê 卜 como 灼剝龜也 — o ato de chamuscar o casco de tartaruga — e, numa segunda glosa, como as fissuras 龜兆; a paleografia converge na leitura das rachaduras de adivinhação.
Etimologia de 十 (Sap — Shí / sap6)
O caractere-número "dez", radical Kangxi nº 24. O Shuowen lê 十 cosmologicamente como 數之具 "a completude dos números" — 一 o eixo leste-oeste, 丨 o norte-sul; a paleografia diverge entre pictograma de agulha (裘錫圭), traço vertical para evitar confusão com 一 (于省吾) e forma de duas palmas (郭沫若).
Etimologia de 匕 (Bei — Bǐ / bei6)
O Shuowen lê 匕 como 相與比敘也 — "dispor em ordem por comparação" — a partir de 人 (pessoa) invertido, e daí o utensílio (colher ritual 柶); a paleografia lê pessoa prostrada ou deitada de lado, com o sentido de "colher" tomado por empréstimo fonético.
O que Deus fazia antes de criar o mundo? (Agostinho, Confissões XI)
No Livro XI das Confissões, Agostinho responde à objeção sobre o que Deus fazia antes da criação: o tempo é criatura, criado com o mundo, e a eternidade divina não é duração infinita, mas um modo de ser sem sucessão.
Etimologia de 几 (Gei — Jī / gei1)
O pictograma da mesinha baixa de apoio, radical Kangxi nº 16. O Shuowen lê 几 踞几也 — o apoio para quem se senta agachado no chão; a paleografia confirma o desenho do móvel.
Pesquisa Viva: Arte Marcial
De onde vem o termo 'arte marcial'? O que há de marcial na arte, ou de artístico na guerra? Rastreia 'arte' (latim ars, raiz PIE *h₂er- 'ajustar/juntar') e 'marcial' (Marte) e cruza com o vocabulário chinês já mapeado no vault: 武 (marcial), 術 (caminho), 藝 (cultivo).
Etimologia de 乙 (Jyut — Yǐ / jyut3)
O segundo dos dez troncos celestes e radical Kangxi nº 5. O Shuowen lê 乙 como planta que brota tortuosa na primavera; a paleografia diverge entre broto, curso de água e traço curvo.
Pesquisa Viva: Tempo e ação em Sêneca
Por que Sêneca insiste em diminuir o intervalo entre dizer e fazer — adiar a ação é adiar a própria vida; a palavra sem obra é tempo perdido.
O tempo se mede na alma (Agostinho, Confissões XI)
No Livro XI das Confissões, Agostinho pergunta o que é o tempo, mostra que passado e futuro não subsistem fora da alma, e o define como distentio animi: o tempo se mede na alma.
Etimologia de 攴 (Pok — Pū / pok3)
O radical Kangxi nº 66 (攴, bater/golpear); como radical à direita assume a forma corrente 攵. O Shuowen lê 小擊也 (golpe leve), 从又卜聲 — mão (又) com 卜 fonético.
Etimologia de 車 (Ce — Chē / Jū / ce1)
O pictograma do carro/carruagem, radical Kangxi nº 159. O Shuowen o lê como 輿輪之總名 'o nome geral de carroçaria e roda', atribuído a Xi Zhong; carrega duas leituras, chē (veículo) e jū (carruagem de guerra, torre do xadrez).
Etimologia de 米 (Mai — Mǐ / mai5)
O pictograma de grãos de arroz descascados, radical Kangxi nº 119. O Shuowen lê 米 como 粟實也 'o grão do cereal', figura da forma dos grãos de 禾; a paleografia lê grãos dispostos em torno de um traço central.
Etimologia de 示 (Si — Shì / si6)
O radical Kangxi nº 113, dos assuntos divinos. O Shuowen lê 示 como o céu que faz descer sinais (日月星, sol/lua/estrelas); a paleografia lê um altar ou a tábua de um espírito.
Etimologia de 糸 (Mik — Mì / mik6)
O pictograma de fios de seda atados, radical Kangxi nº 120. O Shuowen lê 糸 como 細絲也 (fio fino de seda); na escrita oracular, 糸, 絲 e 幺 eram um só caractere.
