Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
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Pensamento holístico aceita a ambiguidade
O pensamento coletivista é holístico e intuitivo — pensa o todo, não as partes — e admite a ambiguidade: se A é verdade, não-A também pode ser, porque o que importa é colaborar com o grupo.
Teoria da subsistência: arroz versus trigo
A teoria do estilo de subsistência, de um artigo de 2014 na Science, deriva sociedades coletivistas e individualistas do cultivo de arroz versus trigo em dezenas de províncias chinesas.
Coletivismo prospera onde há menos recursos
O coletivismo é mais vantajoso na escassez, quando dividir mantém o grupo; China, Japão e Coreia mostram que enriquecer não leva necessariamente ao individualismo, refutando a velha teoria evolutiva.
Pluralidade exige abrir mão da própria felicidade
Conviver com gente diferente exige abrir mão da própria felicidade para se colocar no lugar do outro; o coletivismo dá suporte social e menos solidão, ao custo de menos abertura ao novo.
Alocentrismo: agir sem calcular o olhar alheio
O comportamento alocêntrico, típico de sociedades coletivistas, não é calcular o olhar alheio: é um modo de ação que nem passa pela consciência, como mostra o costume chinês de designar o lugar à mesa.

Mortal Kombat 2 (2026)
Sequência de Mortal Kombat (2021), dirigida por Simon McQuoid (2026). Johnny Cage entra na disputa entre os campeões do Plano Terreno e o imperador Shao Kahn.
Etimologia de 虫 (Cung — Chóng / cung4 · originalmente Huǐ / wai2)
O radical Kangxi nº 142. Originalmente 虫 era huǐ, uma víbora — o Shuowen lê 一名蝮 'chamada fu', desenho de uma serpente enrodilhada; modernamente funde-se com 蟲 chóng 'inseto/bicho'.
Etimologia de 牛 (Ngau — Niú / ngau4)
O pictograma do boi visto de frente, radical Kangxi nº 93. O Shuowen lê 牛 como 大牲也 'o grande animal de sacrifício'; a paleografia lê uma cabeça de bovino com chifres.
Etimologia de 犬 (Hyun — Quǎn / hyun2)
O pictograma de cão, radical Kangxi nº 94. O Shuowen define 犬 como o cão de patas suspensas e cita Confúcio — quem olha o caractere de 犬 vê o desenho de um cão.
Etimologia de 竹 (Zuk — Zhú / zuk1)
O pictograma de bambu, radical Kangxi nº 118. O Shuowen lê 竹 como 冬生艸也 'a planta que vive no inverno'; a paleografia lê o desenho de duas hastes de bambu com folhas pendentes.
Etimologia de 艸 (Cou — Cǎo / cou2)
O radical Kangxi nº 140, a forma plena de 屮 dobrado — 艸 百芔也 no Shuowen, "todas as ervas". Na prática reduz-se a 艹 no topo dos caracteres; e 草, hoje a grafia comum de "erva", era originalmente outro caractere (a bolota do carvalho).
Etimologia de 肉 (Juk — Ròu / juk6)
O pictograma de um naco de carne, radical Kangxi nº 130. O Shuowen lê 肉 como 胾肉 'carne em postas,象形'; como radical lateral assume a forma ⺼, graficamente idêntica ao radical 月 lua.
Etimologia de 耳 (Ji — Ěr / ji5)
O pictograma de orelha, radical Kangxi nº 128. O Shuowen lê 耳 como 主聽也 'o que governa a audição'; a paleografia confirma o desenho de uma orelha, e o caractere serve também de partícula final 'apenas'.
Etimologia de 足 (Zuk — Zú / zuk1)
O pé humano, radical Kangxi nº 157. O Shuowen lê 足 como 人之足也 "o pé do homem, em baixo", composto de 止 e 口; a paleografia lê a perna inteira, da coxa ao pé.
Etimologia de 石 (Sek — Shí / sek6)
O pictograma da pedra ao pé do penhasco, radical Kangxi nº 112. O Shuowen lê 石 como 山石也 — pedra da montanha sob o rochedo 厂; a paleografia lê origem em pedra-sonante (litofone 石磬).
Etimologia de 雨 (Jyu — Yǔ / jyu5)
O pictograma de chuva caindo das nuvens, radical Kangxi nº 173. O Shuowen lê 雨 como 水从雲下也 'água que desce das nuvens', com a paleografia confirmando gotas sob o céu.
Etimologia de 月 (Jyut — Yuè / jyut6)
O pictograma da lua, radical Kangxi nº 74. O Shuowen lê 月 como 闕也 — "o que falta", essência do grande yin; a paleografia lê a forma da lua crescente.
Etimologia de 山 (Saan — Shān / saan1)
O pictograma de montanha, radical Kangxi nº 46. O Shuowen lê 山 paronomasticamente como 宣也 'difundir', dispersando o qi e gerando os dez mil seres; a paleografia lê três picos lado a lado.
Peano, matemático
Além dos axiomas: a curva que preenche o plano, a notação lógica que Russell adotou, o Formulario Mathematico e o Latino sine flexione.
Os axiomas de Peano
Os cinco axiomas que Peano publicou em 1889, a aritmética que se constrói sobre eles, e o limite que Gödel impôs em 1931.
O que significa "fundamentar a aritmética"
Categoricidade, modelos não-padrão e a leitura estrutural: o que está em jogo quando se diz que cinco axiomas fundamentam os números.
Incompletude e consistência: os dois teoremas de Gödel
Por que uma teoria que contém aritmética não pode ser completa nem demonstrar a própria consistência — os dois teoremas que Gödel provou em 1931.
Etimologia de 土 (Tou — Tǔ / tou2)
O pictograma de um torrão de terra erguido no solo, radical Kangxi nº 32. O Shuowen lê 土 como 地之吐生物者 — "aquilo que a terra expele para gerar os seres"; a paleografia lê um monte de terra sobre o chão.
O teorema da incompletude de Gödel
Em 1931, Gödel provou que todo sistema formal capaz de aritmética é incompleto ou inconsistente: há verdades que ele não alcança a partir das próprias regras. O que isso significa, e onde encosta nos LLMs.
A numeração de Gödel
O truque que deixa a matemática falar de si mesma: dar a cada símbolo, fórmula e demonstração um número único e reversível, codificando sequências por potências de primos.
Pesquisa Viva: A Characteristica Universalis de Leibniz e os Vetores
Até onde Leibniz chegou com a characteristica universalis, e até onde um LLM, na prática, realiza o que ele almejava? Ele foi um visionário a quem só faltava poder computacional, ou o projeto era de outra natureza?
Etimologia de 女 (Neoi — Nǚ / neoi5)
Radical Kangxi nº 38 (mulher). O Shuowen o dá como pictograma de 婦人 'mulher'; a paleografia lê uma figura feminina ajoelhada, de mãos cruzadas ao peito.
Etimologia de 言 (Jin — Yán / jin4)
Radical Kangxi nº 149 (fala). O Shuowen distingue 言 'falar direto' de 語 'debater' e o analisa como 口 + 䇂 fonético; a paleografia diverge — língua na boca, ou boca soprando uma flauta.
Etimologia de 口 (Hau — Kǒu / hau2)
O pictograma da boca aberta, radical Kangxi nº 30. O Shuowen o define pela função: aquilo por que o homem fala e come. Nem todo 口 gráfico, porém, é boca.
Etimologia de 手 (Sau — Shǒu / sau2)
O pictograma da mão aberta de cinco dedos, radical Kangxi nº 64. O Shuowen glosa 手 como 拳 'punho'; a paleografia mostra a mão estendida. Como radical, vira 扌.
Etimologia de 水 (Seoi — Shuǐ / seoi2)
O pictograma de água corrente, radical Kangxi nº 85. O Shuowen lê 水 cosmologicamente como 準也 'o nível', elemento do Norte; a paleografia lê forma de água fluindo.
Etimologia de 鬱 (Wat — Yù / wat1)
鬱 (yù): vegetação densa e luxuriante; melancolia, opressão do ânimo. Composto de 林 (floresta) com fonético abreviado 𩰪, segundo o Shuowen.
As etimologias do Crátilo de Platão
Catálogo das etimologias que Sócrates propõe no Crátilo para sustentar que os nomes guardam a natureza das coisas, com a contraprova da linguística histórica. No conjunto, quase todas derivam de movimento e fluxo; quase nenhuma se sustenta diante da etimologia moderna, que as expõe como etimologia popular.
A correção dos nomes: o problema do Crátilo de Platão
O Crátilo de Platão funda a pergunta ocidental sobre a linguagem: os nomes são corretos por natureza ou por convenção? Hermógenes, Crátilo e Sócrates disputam, e o diálogo conclui que o real não se conhece pelos nomes, mas pelas coisas.
Une réserve de locutions toutes prêtes… qui nous délivrent du soin de penser
Da conferência Le Bilan de l'intelligence (16 jan 1935, recolhida em Variété III, 1936). Trazemos um estoque de locuções de pura imitação que nos poupam de pensar e tomamos por soluções nossas.
Pesquisa Viva: Pensamento, Linguagem e Filosofia
O pensamento depende da língua em que é pensado, ou a precede? Mapear as duas teses opostas — a língua molda o pensamento (relativismo) e o pensamento é prévio à língua (universalismo/mentalês) — e o que cada tradição filosófica fez com elas.
A curiosa semelhança de família de todo filosofar indiano, grego e alemão tem uma explicação simples
De Para Além de Bem e Mal §20 (1886). Nietzsche explica a semelhança entre as filosofias indiana, grega e alemã pelo parentesco linguístico: a gramática comum guia, sem que se perceba, o curso dos sistemas.
Há filósofos que são, em resumo, tenores desempregados
Frase do capítulo X de Dom Casmurro (1899). Bento Santiago, aceitando a teoria da vida-ópera do tenor Marcolini, conclui que filosofa quem já perdeu a voz.
Os filósofos metafísicos são músicos sem habilidade musical
Frase de Carnap em ensaio de 1932 do Círculo de Viena: a metafísica seria expressão de uma atitude diante da vida, como a arte, porém em meio inadequado — o metafísico é o artista que não tem o dom.
A invenção até mesmo do mais simples adjetivo precisou de mais metafísica do que estamos aptos a estar cientes
Passagem do ensaio de Adam Smith sobre a origem das línguas (1761): nomear a cor 'verde' já exige abstrair a qualidade da substância, e por isso o adjetivo mais banal pressupõe metafísica.
