Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
1929 notas · última:
Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie
Dos Pensées #206 (Brunschvicg). Registro mais explícito da angústia metafísica do universo infinito recém-revelado pela ciência copernicana e galileana.
Le nez de Cléopâtre: s'il eût été plus court, toute la face de la terre aurait changé
Dos Pensées #162 (Brunschvicg). Observação sobre o papel da contingência na história: detalhes triviais decidem destinos imperiais.
Le dernier acte est sanglant, quelque belle que soit la comédie en tout le reste
Dos Pensées #210 (Brunschvicg). A imagem teatral serve para criticar a felicidade que se constrói ignorando a mortalidade.
Le cœur a ses raisons que la raison ne connaît point
Dos Pensées #277 (Brunschvicg). Pascal sustenta uma forma de conhecimento afetivo, anterior e independente da inferência lógica.
La sagesse nous renvoie à l'enfance
Dos Pensées #271 (Brunschvicg). O trajeto epistêmico maduro retorna a uma simplicidade próxima da infância depois de desfazer toda a complexidade adulta.
La lutte seule plaît, non la victoire
Dos Pensées #135 (Brunschvicg). O desejo humano é estruturalmente insatisfazível: o objeto buscado, uma vez obtido, perde o brilho que tinha enquanto distante.
La justice sans la force est impuissante; la force sans la justice est tyrannique
Dos Pensées #298 (Brunschvicg). Aforismo sobre o paradoxo da política: justiça sem poder não opera; poder sem justiça vira tirania.
La coutume est notre nature
Dos Pensées #89 e #93 (Brunschvicg). O que chamamos de natureza humana é, em larga medida, costume sedimentado: repetição que vira automatismo.
L'imagination est cette partie décevante dans l'homme, cette maîtresse d'erreur et de fausseté
Dos Pensées #82 (Brunschvicg). Pascal define a imaginação como faculdade que distorce o juízo: amplifica o medo, infla a vaidade.
L'homme n'est qu'un roseau, le plus faible de la nature; mais c'est un roseau pensant
Dos Pensées #347 (Brunschvicg). Pascal define a posição cosmológica humana: fragilidade física diante do universo, dignidade na consciência da fragilidade.
L'homme n'est ni ange ni bête, et le malheur veut que qui veut faire l'ange fait la bête
Dos Pensées #358 (Brunschvicg). A posição central da antropologia pascaliana: a tentativa de assumir uma das extremidades resulta em catástrofe.
L'art de persuader consiste autant en celui d'agréer qu'en celui de convaincre
De De l'art de persuader (1658). Pascal sustenta que a persuasão integra duas operações distintas: convencer (lógico) e agradar (afetivo).
Je n'ai fait celle-ci plus longue que parce que je n'ai pas eu le loisir de la faire plus courte
Da Lettre XVI das Lettres provinciales (4 dez 1656). Aforismo sobre concisão constantemente atribuído errado a Twain, Cicero, Voltaire, Locke, Goethe.
Condition de l'homme: inconstance, ennui, inquiétude
Dos Pensées #127 (Brunschvicg). Tríade que sintetiza a antropologia pascaliana: instabilidade, tédio, inquietude como condição estrutural.
C'est une sphère infinie, dont le centre est partout et la circonférence nulle part
Dos Pensées #72 (Brunschvicg). Pascal cita a definição que tem origem em hermetismo medieval — Hermes Trismegisto, Alano de Lille, Nicolau de Cusa.
C'est une maladie naturelle à l'homme de croire qu'il possède la vérité directement
De De l'esprit géométrique (1658), seção I. Diagnóstico do vício epistêmico mais comum: confusão entre intuição imediata e verdade demonstrada.
Mercado socialmente necessário: Ana Clara Torres Ribeiro com Milton
Ana Clara Torres Ribeiro formula, em diálogo com Milton, o mercado socialmente necessário: arranjo que prioriza o circuito inferior contra a oligopolização e a meificação.
Fixos, fluxos, trabalho vivo e morto em Milton Santos
Pares conceituais que prepararam a definição madura do espaço: fixos e fluxos em Metamorfose do Espaço Habitado; trabalho vivo e morto em Por uma Economia Política da Cidade.
Papel ativo do espaço: o prático-inerte de Sartre em Milton Santos
Para Milton, a materialidade herdada condiciona ações presentes — força que ele nomeia, com Sartre, prático-inerte, e cunha como inércia dinâmica.
Espaço como sistemas de objetos e sistemas de ações
Em A Natureza do Espaço, Milton chega à definição madura: o espaço geográfico como conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações.
Três eixos epistemológicos da obra de Milton Santos
Flávia Grimm sistematiza a obra em três eixos: filosofia da técnica, economia política, cidadania como praxis. Em O Espaço do Cidadão, Milton contrapõe cidadão a consumidor.
Pirataria como contra-racionalidade: a flexibilidade tropical
Fábio Tosi mobiliza Milton para ler a pirataria como infraestrutura popular de acesso à arte — operada pelo conceito miltoniano de flexibilidade tropical.
Período popular da história e a pertinência da utopia
Diante da globalização perversa, Milton projeta um período popular regido pela centralidade do homem — em diálogo com Samir Amin e Fanon, recupera a pertinência da utopia.
Centralidade da periferia em Milton Santos
Milton recusa a categoria de país periférico: se dois terços da população do mundo vivem na África, Ásia e América Latina, é a periferia que é central.
What is tolerance? It is the consequence of humanity. We are all formed of frailty and error; let us pardon reciprocally each other's folly
Do verbete Tolérance do Dictionnaire philosophique portatif (1764). Voltaire deriva a tolerância da observação naturalista sobre a fragilidade humana comum.
Un bon mot ne prouve rien
De Le Dîner du comte de Boulainvilliers (1767). Ceticismo de Voltaire diante do bon mot como argumento — vindo de quem foi mestre do gênero.
Tous les mortels sont égaux; ce n'est pas la naissance, c'est la seule vertu qui fait la différence
De Ériphyle (1732), tragédia de Voltaire em cinco atos. A frase aparece em fala da personagem-título e exprime a posição igualitária do autor sobre nascimento e mérito moral.
To learn who rules over you, simply find out who you are not allowed to criticize
Frase de Kevin Alfred Strom, supremacista branco e negacionista do Holocausto, em transmissão antissemita de 1993. A misatribuição a Voltaire começou em 2012 e se espalhou em redes sociais.
There are truths which are not for all men, nor for all times
De carta de Voltaire ao Cardeal de Bernis, 23 abr 1764. Voltaire defende publicação seletiva de textos filosóficos contra quem queria popularizar todo conhecimento.
The secret of being a bore is to tell everything
Do Sept Discours en vers sur l'Homme (1738), Discours VI. Conselho retórico de Voltaire sobre economia da palavra: a omissão deliberada importa mais que a abundância.
Tenir la plume, c'est faire la guerre
De carta de Voltaire à Comtesse d'Argental (4 out 1748). A imagem captura a posição do escritor iluminista no século XVIII em conflito com poderes estabelecidos.
Si Dieu n'existait pas, il faudrait l'inventer
Da Épître à l'Auteur du Livre des Trois Imposteurs (1770). Voltaire reage ao tratado anônimo deísta defendendo uma posição utilitária sobre a existência de Deus.
Quiconque peut vous faire croire des absurdités peut vous faire commettre des injustices
Das Questions sur les miracles (1765). A versão definitiva de um argumento que Voltaire repetiu em vários textos, ligando obediência intelectual a abusos políticos.
Prejudice is an opinion without judgement
Do verbete Préjugés do Dictionnaire philosophique portatif (1764). Definição operacional do preconceito como opinião pré-fabricada que dispensa exame.
Originality is nothing but judicious imitation
Aforismo coletivo do século XIX, atribuído a Voltaire por anedota póstuma de 1786 sem corroboração textual. Variantes documentadas em Smith (1836), Paul (1896) e Inge (1928).
On doit des égards aux vivants; on ne doit aux morts que la vérité
De Lettre sur Œdipe (1718), texto crítico que Voltaire publicou em torno da própria peça. Princípio de tratamento histórico que ele defenderia em toda a obra historiográfica posterior.
On dit que Dieu est toujours pour les gros bataillons
De carta de Voltaire a François-Louis-Henri Leriche (6 fev 1770). Voltaire ironiza o uso religioso do conceito de Providência divina.
Men will always be mad; those who think they can cure them are maddest of all
De carta de Voltaire à princesa Luise Dorothea de Saxe-Gotha (18 set 1762). Resposta cética a programas pedagógicos iluministas sobre reformar a humanidade pela educação.
Love truth, but pardon error
Do Sept Discours en vers sur l'Homme (1738), Discours IV (De la modération en tout). Posição epistêmica que Voltaire defenderia até o fim.
Life is bristling with thorns; I know no remedy but to cultivate one's garden
De carta de Voltaire a Pierre-Joseph Luneau de Boisjermain (21 out 1769). Releitura epistolar do mesmo tópos que encerra Candide (1759).
