Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
1929 notas · última:
Hic conatus aliquid agendi et etiam omittendi ea sola de causa ut hominibus placeamus, vocatur ambitio
Da Ethica III, prop. XXIX (1677). Definição operacional de ambição: agir ou deixar de agir apenas para agradar aos outros.
God would say: Stop praying. I gave you a brain, legs, hands, a shop; do something with what I gave you
Frase que circula em redes sociais atribuída a Spinoza, sem fonte primária em qualquer texto dele. Misatribuição moderna sem origem rastreável.
Ea demonstrare cogitabam, quae cum praxi optime conveniunt
Do Tractatus Politicus, cap. 1 (1677). Spinoza propõe demonstrar o que melhor concorda com a prática, em vez de inventar doutrinas nunca vistas.
Deus seu Natura
Da Ethica IV, prefácio (1677, póstuma). Fórmula central do panteísmo spinozano: Deus e Natureza são designações do mesmo objeto.
Deus est omnium rerum causa immanens, non vero transiens
Da Ethica I, prop. XVIII (1677). Deus é causa imanente, não transcendente: o efeito permanece dentro do agente e não se separa dele.
Amor erga rem aeternam et infinitam sola laetitia pascit animum
Do Tractatus de Intellectus Emendatione, §10 (póstumo, 1677). O amor por objeto eterno e infinito alimenta a alma com alegria pura, livre de tristeza.
Si on me presse de dire pourquoi je l'aimais, je sens que cela ne se peut exprimer qu'en répondant: parce que c'était lui; parce que c'était moi
Do livro I, cap. 28 dos Essais (1580), De l'amitié. Sobre Étienne de La Boétie, amigo morto em 1563 cuja perda marcou Montaigne para sempre.
Si haut que soit le trône, on n'est jamais assis que sur son cul
Do livro III, cap. 13 dos Essais (1588), De l'expérience. A imagem das andas (échasses) ilustra a falsa elevação social: a substância de quem usa não muda.
Que sais-je?
Do livro II, cap. 12 dos Essais (1580), Apologie de Raimond Sebond. Pergunta que Montaigne adotou como divisa pessoal e mandou cunhar em medalha.
Que philosopher c'est apprendre à mourir
Título do cap. 20 do livro I dos Essais (1580). Formulação que Montaigne herda de Cícero (Tusculanas), que cita Sócrates no Fédon.
Quand je me joue à ma chatte, qui sait si elle passe son temps de moi plus que je ne fais d'elle?
Do livro II, cap. 12 dos Essais (1580), Apologie de Raimond Sebond. Inversão antropocêntrica: a brincadeira interespécies é simétrica.
Nous sommes nés à quêter la vérité; il appartient de la posséder à une plus grande puissance
Do livro III, cap. 8 dos Essais (1588), De l'art de conférer. Distinção entre busca e posse no plano epistêmico.
My life has been filled with terrible misfortunes, most of which never happened
Frase amplamente atribuída a Montaigne ou a Mark Twain. Sem fonte primária em qualquer dos dois. Atribuição a Montaigne começou em 1948 com Dale Carnegie.
Mon métier et mon art, c'est vivre
Do livro II, cap. 6 dos Essais (1580), De l'exercitation. Frase-síntese do programa antropológico de Montaigne: viver é a tarefa permanente, indelegável.
Les rois et les philosophes fientent, et les dames aussi
Do livro I, cap. 42 dos Essais (1580), De l'inégalité qui est entre nous. Igualdade radical do humano confirmada pela fisiologia compartilhada.
Le plus manifeste signe de la sagesse, c'est une éjouissance constante
Do livro I, cap. 26 dos Essais (1580), De l'institution des enfans. Modelo pedagógico antiestóico: a sabedoria como alegria sustentada.
Laissons faire un peu à la nature: elle entend mieux ses affaires que nous
Do livro III, cap. 13 dos Essais (1588), De l'expérience. Conselho médico-filosófico de Montaigne, que sofreu de cólica renal crônica.
La vertu refuse la facilité pour compagne... elle demande un chemin âpre et épineux
Do livro II, cap. 11 dos Essais (1580), De la cruauté. Distinção entre virtude verdadeira (esforço, escolha) e inclinação natural ao bem.
La plus grande chose du monde, c'est de savoir être à soi
Do livro I, cap. 39 dos Essais (1580), De la solitude. Montaigne defende o cultivo da vida interior como tarefa mais difícil e mais valiosa.
La chose au monde de quoi j'ai le plus de peur, c'est la peur
Do livro I, cap. 18 dos Essais (1580), De la peur. O medo é mais temível que seus objetos: a antecipação angustiada do mal causa mais sofrimento que o mal real.
Je veux que la mort me trouve plantant mes choux, mais nonchalant d'elle, et encore plus de mon jardin imparfait
Do livro I, cap. 20 dos Essais (1580), Que philosopher c'est apprendre à mourir. Postura cotidiana diante da morte: continuidade prática em vez de meditação solene.
Je suis moi-même la matière de mon livre
Da carta Au lecteur que abre o livro I dos Essais (1580). Montaigne anuncia o programa autobiográfico que inaugura o gênero do ensaio pessoal moderno.
Je ne dis les autres, sinon pour d'autant plus me dire
Do livro I, cap. 26 dos Essais (1580), De l'institution des enfans. Princípio metodológico: as citações servem para acessar o próprio pensamento por reflexo.
Je n'ai fait ici qu'un amas de fleurs étrangères, n'y ayant fourni du mien que le filet à les lier
Do livro III, cap. 12 dos Essais (1588), De la physionomie. Confissão metodológica sobre originalidade autoral: as ideias vêm de outros, o trabalho está no fio.
Je dis vrai, non pas tout mon saoul, mais autant que je l'ose dire
Do livro III, cap. 2 dos Essais (1588), Du repentir. Reconhecimento da censura interna que opera mesmo no projeto autobiográfico mais radical.
Il y a autant de différence de nous à nous-mêmes que de nous à autrui
Do livro II, cap. 1 dos Essais (1580), De l'inconstance de nos actions. Tese da personalidade flutuante contra a unidade fixa do sujeito clássico.
Il n'est si homme de bien, qu'il mette à l'examen des lois toutes ses actions et pensées, qui ne soit pendable dix fois en sa vie
Do livro III, cap. 9 dos Essais (1588), De la vanité. Observação cínica sobre moralidade efetiva versus moralidade formal.
Il n'est rien cru si fermement que ce qu'on sait le moins
Do livro I dos Essais (1580). Observação epistêmica recorrente em Montaigne: a certeza não é proporcional ao saber, e o crente fervoroso costuma ser quem menos sabe.
Il est des défaites plus triomphantes que les victoires
Do livro I, cap. 30 dos Essais (1580), Des cannibales. Reflexão sobre coragem militar: certas derrotas valem mais que vitórias fáceis.
Chaque homme porte la forme entière de l'humaine condition
Do livro III, cap. 2 dos Essais (1588), Du repentir. Princípio universalista que sustenta o método autobiográfico: cada indivíduo carrega o desenho integral do humano.
À quelque heure que tu meures, le tout y est
Do livro I, cap. 20 dos Essais (1580), Que philosopher c'est apprendre à mourir. A vida vale pela completude do tempo vivido, não pela duração.
O que quer que um outro disser bem, é meu
Sêneca, em carta a Lucílio, justifica que toda boa formulação alheia lhe pertence, reconhecendo logo depois que mesmo essa frase já fora dita por Epicuro.
Toute notre dignité consiste dans la pensée
Dos Pensées #347 (Brunschvicg), continuação do fragmento do roseau pensant. A dignidade humana se concentra no único atributo que distingue o homem do resto da natureza.
Tout le malheur des hommes vient d'une seule chose, qui est de ne savoir pas demeurer en repos dans une chambre
Dos Pensées #139 (Brunschvicg), seção sobre divertissement. O homem evita a si próprio porque ficar sozinho expõe a finitude.
Tous les excès, toutes les violences, et toutes les vanités des grands, viennent de ce qu'ils ne connaissent pas ce qu'ils sont
Do Discours sur la condition des grands (1660), três discursos curtos que Pascal endereçou ao filho do duque de Luynes.
Rien n'est si insupportable à l'homme que d'être dans un plein repos, sans passions, sans affaires, sans divertissement, sans application
Dos Pensées #131 (Brunschvicg), seção sobre divertissement. O repouso completo é insuportável, e o homem inventa ocupações artificiais para fugir do confronto com o vazio.
Plaisante justice qu'une rivière borne! Vérité au deçà des Pyrénées, erreur au delà
Dos Pensées #294 (Brunschvicg). Observação clássica sobre o relativismo da justiça territorial: o que é crime numa jurisdição é virtude na outra.
Oui, mais il faut parier... gagez donc qu'il est sans hésiter
Dos Pensées #233 (Brunschvicg). A aposta de Pascal — argumento mais discutido da filosofia da religião, usando cálculo probabilístico para defender a fé.
Nous ne vivons jamais, mais nous espérons de vivre; et, nous disposant toujours à être heureux, il est inévitable que nous ne le soyons jamais
Dos Pensées #172 (Brunschvicg). Diagnóstico psicológico da projeção temporal humana: o presente é sempre instrumental, sacrificado ao futuro que nunca chega.
Nous connaissons la vérité non seulement par la raison, mais encore par le cœur
Dos Pensées #282 (Brunschvicg). Pascal complementa a tese do cœur a ses raisons (#277) com uma epistemologia dual: razão e intuição.
