Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
1929 notas · última:
Ohne Musik wäre das Leben ein Irrtum
De Götzen-Dämmerung, Sprüche und Pfeile §33 (1888). Sem a música, a vida seria um erro. Aforismo de um Nietzsche que era músico amador antes de virar filósofo.
Nichts verzehrt schneller als das Ressentiment
De Ecce Homo, Warum ich so weise bin §6 (1888, pub 1908). Nada consome mais rápido do que o ressentimento — diagnóstico clínico do afeto reativo.
Meine Formel für die Grösse am Menschen ist amor fati
De Ecce Homo, Warum ich so klug bin §10 (1888, pub 1908). Minha fórmula para a grandeza humana é amor fati — amor ao destino.
Mehr Vernunft ist in deinem Leibe als in deiner besten Weisheit
De Also sprach Zarathustra I, Von den Verächtern des Leibes (1883). Há mais razão no teu corpo do que na tua maior sabedoria.
Man muss noch Chaos in sich haben, um einen tanzenden Stern gebären zu können
De Also sprach Zarathustra, prólogo §5 (1883). É preciso ter ainda caos em si para gerar uma estrela dançante.
Lebt gefährlich! Baut eure Städte an den Vesuv!
Da Fröhliche Wissenschaft §283 (1882). Vivam perigosamente, construam cidades nos flancos do Vesúvio. Ataque ao ideal moderno de segurança previsível.
Ich lehre euch den Übermenschen. Der Mensch ist Etwas, das überwunden werden soll
De Also sprach Zarathustra, prólogo §3 (1883). Anúncio do Übermensch — o que excede o humano —, conceito grosseiramente apropriado pelo nazismo no século XX.
Ich bin kein Mensch, ich bin Dynamit
De Ecce Homo, Warum ich ein Schicksal bin §1 (escrito out-dez 1888, pub. 1908). Autoavaliação megalomaníaca semanas antes do colapso em Turim.
Ich bin ein Jünger des Philosophen Dionysos, ich zöge vor, ein Satyr zu sein als ein Heiliger
Do prefácio de Ecce Homo §2 (1888, pub 1908). Sou discípulo do filósofo Dioniso, prefiro ser um sátiro a um santo.
Hat man sein warum? des Lebens, so verträgt man sich fast mit jedem wie?
De Götzen-Dämmerung, Sprüche und Pfeile §12 (1888). Quem tem um porquê para viver suporta quase qualquer como — frase frequentemente reapropriada por Viktor Frankl.
Gott ist tot! Gott bleibt tot! Und wir haben ihn getötet
Da Fröhliche Wissenschaft §125 (1882), parábola do louco que entra na praça com lanterna acesa procurando Deus. Não é triunfo ateu, é diagnóstico de catástrofe.
Es giebt gar keine moralischen Phänomene, sondern nur eine moralische Ausdeutung von Phänomenen
De Jenseits von Gut und Böse §108 (1886). Não existem fenômenos morais, só interpretações morais de fenômenos.
Es gibt keine Tatsachen, nur Interpretationen
Anotação dos cadernos de Nietzsche, fim de 1886-início de 1887 (KSA 12:7[60]). Publicada postumamente em Der Wille zur Macht §481, compilação contestada da irmã.
Der Mensch ist ein Seil, geknüpft zwischen Tier und Übermensch — ein Seil über einem Abgrunde
De Also sprach Zarathustra, prólogo §4 (1883). O homem é uma corda atada entre o animal e o Übermensch — uma corda sobre um abismo.
Der Irrtum ist keine Blindheit, der Irrtum ist Feigheit
De Ecce Homo, Warum ich so weise bin §3 (1888, pub 1908). O erro não é cegueira, o erro é covardia.
Der Irrsinn ist bei Einzelnen etwas Seltenes — aber bei Gruppen, Parteien, Völkern, Zeiten die Regel
De Jenseits von Gut und Böse §156 (1886). A loucura é rara nos indivíduos, regra nos grupos, partidos, povos e épocas.
And those who were seen dancing were thought to be insane by those who could not hear the music
Frase amplamente atribuída a Nietzsche desde 2003 (103 anos após sua morte). Sem fonte primária em qualquer texto dele. Origem provável: provérbio anônimo do séc. XIX.
Allmählich hat sich mir herausgestellt, was jede grosse Philosophie bisher war: nämlich das Selbstbekenntnis ihres Urhebers
De Jenseits von Gut und Böse §6 (1886). Tese genealógica: toda grande filosofia até hoje foi confissão pessoal do autor, biografia involuntária.
Veritas veritati non repugnat
De carta a William van Blyenbergh (1665). Princípio da consistência da verdade: uma verdade não pode contradizer outra verdade.
Veritas norma sui et falsi est
Da Ethica II, prop. XLIII, escólio (1677). A verdade é critério de si própria e do falso: não há instância externa que valide a verdade.
Tota felicitas aut infelicitas in hoc solo sita est: videlicet in qualitate obiecti, cui adhaeremus amore
Do Tractatus de Intellectus Emendatione (póstumo, 1677), §9. Toda felicidade ou infelicidade depende da qualidade do objeto a que nos prendemos pelo amor.
Sub specie aeternitatis
Da Ethica V, prop. XXIII, escólio (1677). Conceito-chave da epistemologia spinozana: ver as coisas a partir do ponto de vista da eternidade.
Sentimus experimurque, nos aeternos esse
Da Ethica V, prop. XXIII, escólio (1677). Sentimos e experimentamos que somos eternos: o conhecimento sub specie aeternitatis tem componente afetivo.
Sedulo curavi, humanas actiones non ridere, non lugere, neque detestari, sed intelligere
Do Tractatus Politicus, cap. 1, §4 (1677, póstumo). Compromisso metodológico: não rir, não lamentar, não detestar — entender as ações humanas.
Sed omnia praeclara tam difficilia quam rara sunt
Última frase da Ethica V, prop. XLII, escólio (1677). Fechamento famoso da obra: tudo o que é excelente é tão difícil quanto raro.
Sapientia Dei aeterna in omnibus rebus, maxime in mente humana, et omnium maxime in Christo Jesu se manifestavit
Da carta 73 a Henry Oldenburg (1675). A sabedoria eterna de Deus se manifestou em todas as coisas, mais na mente humana, e mais ainda em Cristo.
Philosophi affectus, quibus conflictamur, concipiunt veluti vitia, in quae homines sua culpa labuntur
Do Tractatus Politicus, cap. 1, §1 (1677). Crítica de Spinoza aos filósofos que tratam afetos como vícios morais — em vez de fenômenos naturais a estudar.
Pax enim non belli privatio, sed virtus est, quae ex animi fortitudine oritur
Do Tractatus Politicus, cap. V (1677). Paz não é ausência de guerra, é virtude positiva que nasce da força de ânimo.
Ordo et connexio idearum idem est ac ordo et connexio rerum
Da Ethica II, prop. VII (1677). Princípio do paralelismo: a ordem das ideias é idêntica à ordem das coisas, dois aspectos da mesma substância.
Non praesumo, me optimam invenisse philosophiam, sed veram me intelligere scio
Da carta 76 a Albert Burgh (1675). Spinoza não pretende ter encontrado a melhor filosofia, sabe que entende a verdadeira.
Meum institutum non est verborum significationem sed rerum naturam explicare
Da Ethica III, definição XX (1677). Spinoza distingue seu projeto da semântica escolástica: o objetivo é explicar a natureza das coisas, não o significado das palavras.
Maxima superbia vel abjectio est maxima sui ignorantia
Da Ethica IV, prop. LV (1677). Soberba e abatimento extremos são igualmente sinais de ignorância máxima de si próprio.
Lex naturae nihil prohibet, nisi quod nemo potest
Do Tractatus Politicus, cap. 2 (1677). A lei da natureza não proíbe nada exceto o impossível: tudo o que está no poder de cada um é por isso permitido.
Leges, quae sine alterius injuria violari possunt, ludibrio sunt et tantum abest, ut hominum cupiditatibus pro freno sint, ut potius eas augeant
Do Tractatus Politicus, cap. 10 (1677). Leis que podem ser violadas sem prejuízo a outrem viram piada e estimulam o desejo em vez de contê-lo.
Inter ea, quae extra nostram potestatem sunt, nihil aestimabilius esse quam amicitiae vinculo cum iis, qui veritatem sincere amant, jungi posse
Da carta 19 a William van Blyenbergh (1665). Entre o que está fora do nosso controle, nada vale mais que a amizade com quem ama a verdade.
In vita communi sequi probabile, in contemplatione philosophica verum cogimur
Da carta 56 a Hugo Boxel (1674). Na vida prática seguimos o que parece provável; na reflexão filosófica, somos forçados a buscar o verdadeiro.
Humanam impotentiam in moderandis et coercendis affectibus servitutem voco
Da Ethica IV, prefácio (1677). Definição da servidão humana: incapacidade de moderar os afetos. Quem está sob domínio das paixões não é dono de si.
Homo liber de nulla re minus, quam de morte cogitat, et ejus sapientia non mortis, sed vitae meditatio est
Da Ethica IV, prop. LXVII (1677). Inversão direta de Montaigne e da tradição estoica: a sabedoria do homem livre é meditação sobre a vida.
Homo contra leges Dei mentibus inscriptas agere potest, contra aeternum decretum non potest
Do Tractatus Politicus, cap. 2 (1677). O homem pode agir contra as leis de Deus inscritas em mentes humanas, mas não contra o decreto eterno na natureza.
Hoc inter religionem et superstitionem statuo discrimen: quod haec ignorantia, illa sapientia pro fundamento habeat
Da carta 73 a Henry Oldenburg (nov 1675). Distinção entre religião e superstição: a primeira tem por fundamento o conhecimento; a segunda, a ignorância.
