Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
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Porque a história das mortes dos filósofos é também um conto de bizarrias, loucura, suicídio, assassinato, má sorte, pathos, bathos e algum humor negro. Irão morrer a rir, prometo.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição portuguesa de The Book of Dead Philosophers (2008): a promessa de que se morre a rir e o inventário das mortes dos filósofos.
quando a morte está, eu não estou; quando eu estou, a morte não está. Por conseguinte, a preocupação é inútil e a única maneira de obter a tranquilidade da alma é removendo o desejo ansioso por uma vida após a morte.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, obra publicada em 2008. O trecho integra a exposição do autor no livro.
A minha perspetiva pessoal é mais próxima da de Epicuro e que é conhecida como remédio em quatro partes [tetrapharmakos]: não ter medo de Deus, não se preocupar com a morte, o que é bom é fácil de alcançar e o que é terrível é fácil de suportar.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, livro atribuído pelo contexto fornecido ao autor e vinculado à edição de 2008.
Ser um filósofo consiste, portanto, em aprender a morrer; consiste em iniciar o desenvolvimento de uma atitude adequada perante a morte. Como escreveu Marco Aurélio, é uma das «funções mais nobres da razão saber quando chegou o tempo de sair do mundo ou não». Sem saber e sem certezas, caminha o filósofo.
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, obra indicada pelo solicitante como fonte da passagem e tratada aqui como atribuição verificada em modo livro.
A filosofia começa assim pelo questionamento das certezas no reino do conhecimento e pelo desenvolvimento de um amor pela sabedoria. A filosofia não é apenas epistémica, mas erótica.
Passagem de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, edição ibérica de The Book of Dead Philosophers, publicada em 2008 por Taurus Ediciones, S.A.
A ship in harbor is safe, but that is not what ships are built for.
Atribuída de forma verificável a John Augustus Shedd em Salt from My Attic, livro de aforismos publicado em 1928 pela The Mosher Press, em Portland, Maine.
O caminho para a justiça, é-nos dito, só pode ser trilhado orientando a alma para Deus, o qual não é justamente uma questão de conhecimento, mas um trabalho de amor.
Passagem atribuída a Simon Critchley no livro O Livro dos Filósofos Mortos, edição em português de The Book of Dead Philosophers, publicado originalmente em 2008.
em A República, o objeto de investigação é a justiça. «O que é a justiça?», pergunta Sócrates, e vários pontos de vista mais ou menos convencionais são discutidos, desmontados e rejeitados. Mas nos livros centrais de A República, Sócrates não dá aos seus interlocutores uma resposta à questão da justiça ou uma qualquer teoria da justiça. Em vez disso, é-nos dado um conjunto de histórias—sendo a mais famosa a Alegoria da Caverna—que nos aponta indiretamente para a questão a tratar.
Trecho de Simon Critchley em O Livro dos Filósofos Mortos, versão em português de The Book of Dead Philosophers, livro publicado em 2008 sobre a tradição filosófica.
One considerable advantage, that arises from philosophy, consists in the sovereign antidote, which it affords to superstition and false religion. All other remedies against that pestilent distemper are vain, or, at least, uncertain.
Trecho de Notes on Suicide, de Simon Critchley, publicado em 2015 pela Fitzcarraldo Editions. No livro, a passagem se situa no ensaio filosófico sobre o suicídio.
In The Myth of Sisyphus, Camus's overriding argument is that suicide is not a legitimate response to the absurd. What is required is artistic creation in the face of the absurd. As Nietzsche would have put it, we need art in order not to die from the truth.
Passagem de Simon Critchley em Notes on Suicide, livro publicado em 2015 pela Fitzcarraldo Editions. O trecho situa Camus e Nietzsche no argumento do autor sobre o suicídio.
when sound philosophy has once gained possession of the mind, superstition is effectually excluded; and one may safely affirm, that her triumph over this enemy is more compleat than over most of the vices and imperfections, incident to human nature. Love or anger, ambition or avarice, have their root in the temper and affections, which the soundest reason is scarce ever able fully to correct.
Passagem de Simon Critchley em *Notes on Suicide*, livro publicado em 2015 pela Fitzcarraldo Editions, em Londres; a autoria está estabelecida pela fonte fornecida.
Se eu fizesse livros, faria um registo com comentários de várias mortes. Aquele que ensine os homens a morrer irá ensiná-los a viver. Montaigne, «Da filosofia como aprendizagem da morte».
Simon Critchley escreve a passagem em The Book of Dead Philosophers (2008), ao citar Montaigne e situar o ensaio «Que filosofar é aprender a morrer».
Num mundo em que a única metafísica em que as pessoas acreditam é a do dinheiro ou da ciência médica, e em que a longevidade é valorizada como um bem inquestionável, não quero negar que isto é um ideal difícil de defender. Não obstante, acredito que a filosofia pode ensinar uma prontidão para a morte sem a qual qualquer noção de contentamento, e muito menos de felicidade, é ilusória.
Trecho de Simon Critchley em The Book of Dead Philosophers (2008), livro em que o autor articula a filosofia como preparação para a morte.
Sócrates contava entre os seus seguidores com algumas figuras bastante reacionárias. Crítias, discípulo de Sócrates, foi líder do regime antidemocrático dos Trinta Tiranos em 404-403 a. C. Deve ser ainda lembrado que, segundo Xenofonte, a única vez que Sócrates aconselhou um dos seus discípulos a entrar na política, o destinatário foi um relutante Cármides, outro dos Trinta Tiranos que morreu no campo de batalha ao lado de Crítias.
Passagem de Simon Critchley no capítulo sobre Sócrates de The Book of Dead Philosophers, publicado em 2008; o trecho foi extraído do livro indicado pelo solicitante.

IX Encontro de Chinês Instrumental
Anotações do nono encontro de Chinês Instrumental, conduzido por Si Fu, com Claudio Teixeira e Thiago Silva. O encontro decupou o nome Baat Jaam Do 八斬刀 caractere por caractere: 八 (a sorte como aleatório neutro e as oito direções), 斬 (o corte que decapita, 車 mais 斤) e 刀 (a faca, o Ving Tsun Do), com o contraste do 切 de cozinha, a lógica das oito partes e das oito sequências, e a discussão sobre fluxo, peso da faca e sorte ativa.
O pacto da branquitude e da cisgeneridade
Dani Nunes parte do pacto da branquitude, de Cida Bento, e o estende a um pacto da cisgeneridade para mostrar como o privilégio se reproduz de forma tácita, mesmo em campos progressistas.
Price per 1M tokens is meaningless
The post argues that per-token pricing is a poor way to compare AI models because tokenizers differ and token efficiency varies. It favors cost per completed task as the more useful metric.
Discriminação por gosto: quando o preconceito tem preço
Para Gary Becker, o preconceito é uma preferência com preço: o empregador topa pagar mais caro por um trabalhador pior para não contratar quem rejeita, e o mercado competitivo tende a punir isso.
Becker e o pacto da branquitude: a mesma discriminação
Becker (economia) e Cida Bento (pacto da branquitude) descrevem a mesma discriminação que resiste ao mercado: uma explica por que ela sobrevive, a outra como o privilégio se reproduz sem ser declarado.
Glossário dos radicais primitivos (Kangxi)
Verbete compacto para cada um dos 33 radicais Kangxi que não são caracteres plenos de uso corrente — primitivos de traço e componentes gráficos (丨 丶 丿 亅 冖 勹…): Shuowen verbatim, leituras atestadas e leitura paleográfica, das mesmas 7 fontes das notas individuais.
Etimologia de 夕 (Zik — Xī / zik6)
O pictograma de entardecer/noite, radical Kangxi nº 36. O Shuowen lê 夕 como 莫也 'crepúsculo', 'anoitecer', a lua meio visível; a paleografia registra um grafismo de lua associado ao cair da tarde.
Etimologia de 斗 (Dau — Dǒu / dau2)
O pictograma de uma concha/copo de cabo longo para medir ou entornar líquidos e grãos, radical Kangxi nº 68. O Shuowen o define como “dez sheng”, enfatizando a função metrológica; a paleografia da CUHK lê a forma arcaica como o utensílio de cabo.
Etimologia de 止 (Zi — Zhǐ / zi2)
O pictograma de pé, radical Kangxi nº 77. O Shuowen lê 止 como 下基也 'base inferior', associando-o a 艸木出有址; a paleografia da CUHK e do hanziyuan lê a forma como pé/palma do pé.
Etimologia de 支 (Zi — Zhī / zi1)
O caractere 支, radical Kangxi nº 65. O Shuowen o define como “ramo de bambu retirado”, analisando a forma como mão segurando meio bambu; as fontes modernas registram a especialização posterior em “ramo; divisão; sustentar; pagar” e usos classificadores.
Etimologia de 爪 (Zaau — Zhuǎ / zaau2)
O pictograma de garra/mão voltada para baixo, radical Kangxi nº 87. O Shuowen glosa 覆手曰爪; a paleografia da CUHK lê mão invertida com unhas/garras.
Etimologia de 戶 (Wu — Hù / wu6)
O pictograma de uma folha de porta, radical Kangxi nº 63. O Shuowen glosa 戶 como 護也 e define 半門曰戶; a paleografia lê a forma como uma folha de porta.
Etimologia de 禾 (Wo — Hé / wo4)
O pictograma de um pé de cereal, radical Kangxi nº 115. O Shuowen define 禾 como 嘉穀也, com ciclo sazonal de crescimento e maturação; a paleografia o lê como a figura inteira da planta.
Etimologia de 殳 (Syu — Shū / syu4)
O radical Kangxi nº 79, nome de uma arma antiga de bambu ou madeira. O Shuowen define 殳 como instrumento para ferir pessoas; a paleografia o lê como mão segurando ferramenta de golpe.
Etimologia de 疋 (So — Shū / so1)
O radical Kangxi nº 103. O Shuowen define 疋 como 足也 'pé' e o descreve graficamente como perna e pé; outras fontes registram também usos posteriores ligados a 匹 e 雅.
Etimologia de 小 (Siu — Xiǎo / siu2)
O radical Kangxi nº 42, 'pequeno'. O Shuowen o define como 物之微也 'o diminuto das coisas'; as leituras paleográficas registradas veem três pontos marcando pequenez ou grãos de areia.
Etimologia de 氏 (Si — Shì / si6)
O radical Kangxi nº 83. O Shuowen define 氏 como nome de montanha em Bashu e descreve uma arriba prestes a ruir; a CUHK registra outra leitura paleográfica, como forma antiga de 匙.
Etimologia de 尸 (Si — Shī / si1)
O radical Kangxi nº 44, glosado no Shuowen como 陳也 e explicado graficamente como 象臥之形; as fontes modernas divergem entre “corpo/cadáver” e a pessoa viva que representa o morto em ritos.
Etimologia de 片 (Pin — Piàn / pin3)
O radical Kangxi nº 91, "fatia; lasca". O Shuowen define 片 como 判木也, "madeira fendida", a partir de metade de 木; as fontes modernas glosam "parte/fatia", "lâmina fina" e usos como classificador.
Etimologia de 爻 (Ngaau — Yáo / ngaau4)
O radical Kangxi nº 89. O Shuowen glosa 爻 como 交也 'cruzamento'; a CUHK registra leituras paleográficas que o tomam como forma de varetas de adivinhação e uso original ligado à divinação por 筮數.
Etimologia de 牙 (Ngaa — Yá / ngaa4)
O pictograma de dentes cruzados, radical Kangxi nº 92. O Shuowen define 牙 como 牡齒 "molar"; a paleografia lê forma de dentes superiores e inferiores em disposição alternada.
Etimologia de 瓦 (Ngaa — Wǎ / ngaa5)
O pictograma de objeto cerâmico/telha, radical Kangxi nº 98. O Shuowen define 瓦 como 'nome geral dos utensílios de barro já queimados'; as fontes modernas também registram o sentido de telha.
Etimologia de 毋 (Mou — Wú / mou4)
O radical Kangxi nº 80, com sentido de proibição/negação. O Shuowen o define como 止之也; fontes paleográficas registram empréstimo gráfico de 母 e posterior diferenciação.
Etimologia de 无 (Mou — Wú / mou4)
O radical Kangxi nº 71. No hanziyuan, 无 aparece tanto como simplificação de 無 quanto como grafia antiga/autônoma; o Shuowen o registra como 奇字 e também traz 𣠮 como forma principal em 亡部.
Etimologia de 毛 (Mou — Máo / mou4)
O pictograma de pelos e plumas, radical Kangxi nº 82. O Shuowen define 毛 como 'pelos das sobrancelhas e cabelos, e pelos de animais'; a paleografia o lê como forma de pelagem ou penugem.
Etimologia de 皿 (Ming — Mǐn / ming5)
O pictograma de recipiente raso, radical Kangxi nº 108. O Shuowen define 皿 como utensílio para comida e o aproxima de 豆; a paleografia o lê como figura de um recipiente para conter alimentos.
