Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
1929 notas · última:
Non vivere bonum est, sed bene vivere
Da Epistula 70.4 a Lucílio. Não é viver que é bom, é viver bem — argumento estoico sobre suicídio racional contra prolongamento sem sentido.
Non vitae sed scholae discimus
Da Epistula 106.12 a Lucílio. Aprendemos para a escola, não para a vida — crítica de Sêneca à filosofia escolar inutilmente erudita.
Non scholae sed vitae discimus
Frase atribuída a Sêneca em escolas e diplomas. Inversão do que ele de fato escreveu na Epistula 106.12 — onde criticava que se aprende para a escola e não para a vida.
Non qui parum habet, sed qui plus cupit, pauper est
Da Epistula 2.6 a Lucílio. Pobre não é quem tem pouco, é quem deseja mais — citação de Epicuro recolhida por Sêneca.
Non exiguum temporis habemus, sed multum perdidimus
Do De brevitate vitae 1.4. Não temos pouco tempo, perdemos muito — abertura do tratado mais lido de Sêneca.
Non est ad astra mollis e terris via
Do Hercules Furens, verso 437. Não há caminho mole da terra às estrelas — verso de Sêneca trágico que circula como divisa heróica.
Nemo liber est qui corpori servit
Da Epistula 92.33 a Lucílio. Ninguém é livre quem serve ao corpo — argumento estoico sobre liberdade interior contra apetite somático.
Marcet sine adversario virtus
Do De providentia 2.4. Sem adversário a virtude murcha — argumento estoico clássico de que a adversidade é matéria-prima da têmpera.
Luck is what happens when preparation meets opportunity
Frase comumente atribuída a Sêneca. Não localizada em sua obra. Versões circulam desde 1912 (Youth's Companion); difusão moderna por Elmer Letterman e Darrell Royal. Atribuição a Sêneca aparece só em 1999.
Ira... brevis insania est
Do De ira I.1.2. A ira é uma breve loucura — diagnóstico estoico que abre o tratado em três livros sobre a cólera.
Ignoranti quem portum petat nullus suus ventus est
Da Epistula 71.3 a Lucílio. Para quem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento é favorável — argumento estoico sobre intencionalidade.
Errare humanum est, perseverare diabolicum
Frase frequentemente atribuída a Sêneca. Não atestada em sua obra. A formulação clássica é de Cícero (Philippicae XII.5); a expansão é cristã tardia.
Dum differtur vita transcurritur
Da Epistula 1.2 a Lucílio. Enquanto se adia, a vida passa. Argumento estoico clássico contra a procrastinação como modo de vida.
Curae leves locuntur, ingentes stupent
Da Phaedra, verso 607. Cuidados leves falam, os imensos emudecem — verso da peça de Sêneca sobre a impossibilidade de dizer a dor extrema.
Cui prodest scelus, is fecit
Da Medeia, versos 500-501. Quem se beneficia do crime, foi quem o cometeu — princípio jurídico romano em verso de Sêneca.
Atqui vivere, Lucili, militare est
Da Epistula 96.5 a Lucílio. Viver, Lucílio, é fazer guerra — formulação estoica da vida como serviço militar permanente.
Animum debes mutare, non caelum
Da Epistula 28.1 a Lucílio. Deves mudar a alma, não o céu — crítica estoica à viagem como cura para o desconforto interior.
'Servi sunt.' Immo homines
Da Epistula 47.1 a Lucílio. 'São escravos.' Não, são homens — defesa estoica da humanidade comum entre senhor e escravo.
Fabíola Gomes e a antropologia do amor na Índia
Antropóloga brasileira, mestre e doutora em antropologia social pela UnB. Pesquisa a Índia há mais de dez anos, com trabalho de campo sobre casamento arranjado, marriage bureaus e a tensão entre tradição holista e individualismo globalizado.
Janaki Abraham e a produção audiovisual do romance no casamento arranjado
Antropóloga, co-orientadora de Fabíola Gomes na Índia. Pesquisa como o ritual do casamento arranjado mobiliza fotógrafos e cinegrafistas para produzir, em álbum e vídeo, um romance que ainda não existe entre os noivos.
Alfred Gell, Arte e Agência, e o amor como forma de conhecimento
Antropólogo britânico. Trabalho de campo entre os Umeda (Papua Nova Guiné). Em Art and Agency (1998, póstumo), formula uma teoria antropológica da agência das coisas. Citado no podcast Vox por Fabíola Gomes como referência para definir o amor como forma de conhecimento.
Dumont, Homo Hierarchicus e o holismo indiano
Antropólogo francês. Em Homo Hierarchicus (1966), contrasta o holismo indiano — em que o valor recai sobre o coletivo (família, casta, sociedade) — com o individualismo moderno do Ocidente. Citado no podcast Vox como ancoragem teórica do conceito de divíduo.
Patrícia Oberoi e a estrutura invertida do romance na Índia
Antropóloga indiana, professora num centro de estudos da Universidade de Delhi, com longa pesquisa sobre amor e família na sociedade indiana. Citada por Fabíola Gomes no podcast Vox pela formulação que organiza o argumento do episódio: 'na Índia a estrutura do romance é invertida'.
Piscitelli e as sugar relations (Unicamp)
Antropóloga brasileira, professora da Unicamp, ligada ao Núcleo Pagu. No podcast Vox, é citada por Natânia Lopes como pesquisadora de sugar relations — relações de patrocínio que se constroem por aversão à categoria 'prostituição'.
Natânia Lopes e a sabotagem da troca em Cabaré
Antropóloga brasileira, putativista. Em Cabaré (Editora Uruatu), formula a sabotagem da troca como princípio do trabalho da puta: ganhar o máximo dando o mínimo, em revanchismo de gênero contra a dívida histórica dos homens.
Mauss e o Ensaio sobre a Dádiva (1925)
Antropólogo francês, sobrinho de Durkheim. No Ensaio sobre a Dádiva (1925), formula a tríplice obrigação universal: dar, receber, retribuir. Citado no podcast Vox como contraponto à sabotagem da troca de Natânia Lopes.
Bataille: o amor como borda e a dissolução do ego
Filósofo francês das questões do erotismo. No podcast Vox, Natânia Lopes invoca Bataille para definir o amor como borda — não limite — e ler o orgasmo como dissolução do ego.
Pesquisa Viva: Estoicismo Lusitano
Mapear a presença e recepção do estoicismo na cultura lusófona: humanistas portugueses do Renascimento, Antero de Quental, Vergílio Ferreira, Ricardo Reis e a sabedoria popular como estoicismo difuso.
Tout le monde se plaint de sa mémoire, et personne ne se plaint de son jugement
Maxime 89. Diagnóstico clássico da assimetria da autoavaliação: aceitamos esquecer, mas não admitimos julgar mal.
Si nous résistons à nos passions, c'est plus par leur faiblesse que par notre force
Maxime 122. Quando aparentemente vencemos uma paixão, é menos por força moral nossa do que por debilidade da própria paixão.
Rien n'empêche tant d'être naturel que l'envie de le paraître
Maxime 431. A naturalidade é destruída pela vontade de aparentá-la — quanto mais se quer parecer natural, mais se afasta.
Pour s'établir dans le monde, on fait tout ce que l'on peut pour y paraître établi
Maxime 56. Diagnóstico do circuito performativo do sucesso social: a aparência de já tê-lo é instrumento para obtê-lo.
On ne donne rien si libéralement que ses conseils
Maxime 110. Comentário irônico sobre a generosidade barata: dar conselhos é a única doação que não custa nada ao doador.
On n'est jamais si heureux ni si malheureux qu'on s'imagine
Maxime 49. A imaginação amplifica simetricamente felicidade e infelicidade, e o estado real do sujeito fica entre as duas projeções.
On aime mieux dire du mal de soi-même que de n'en point parler
Maxime 138. A vaidade é tão imperiosa que prefere a má fala sobre si à ausência de fala — qualquer atenção vale mais que silêncio.
Nous promettons selon nos espérances, et nous tenons selon nos craintes
Maxime 38. Diagnóstico da assimetria entre promessa e cumprimento: o que nos move a prometer não é o que nos move a cumprir.
Nous pardonnons souvent à ceux qui nous ennuient, mais nous ne pouvons pardonner à ceux que nous ennuyons
Maxime 304. Inversão da economia do perdão: aborrecer é tolerável, ser percebido como aborrecido é insuportável para o amour-propre.
Nous ne trouvons guère de gens de bon sens, que ceux qui sont de notre avis
Maxime 347. O critério prático que cada um aplica para julgar o bom senso alheio é a coincidência com o próprio juízo.
Nous n'avouons de petits défauts que pour persuader que nous n'en avons pas de grands
Maxime 327. A confissão de defeitos pequenos opera como técnica de ocultação: comprova-se honesto em escala segura para deslegitimar a suspeita maior.
Nous avons tous assez de force pour supporter les maux d'autrui
Maxime 19. Ironia sobre a economia da compaixão: a dor alheia é sempre suportável quando não nos atinge.
