Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
2131 notas · última:
Un aphorisme ? Du feu sans flammes
De De l'inconvénient d'être né (1973). O aforismo como fogo sem chamas: ninguém pode aquecer-se nele, e Cioran sabe disso.
La mort est trop exacte ; toutes les raisons sont de son côté
De Précis de décomposition (1949). A morte como o exato; a vida como o grande desconhecido. Inversão da hierarquia comum.
Quand la pègre épouse un mythe, attendez-vous à un massacre ou, pis encore, à une nouvelle religion
De Syllogismes de l'amertume (1952), p. 132. A canalha que adota um mito: ou massacre, ou religião nova.
Il n'est pas élégant d'abuser de la malchance
De Syllogismes de l'amertume (1952), p. 69. A elegância como freio do azar: certos indivíduos e povos desonram a tragédia ao se comprazerem nela.
On ne réfléchit que parce qu'on se dérobe à l'acte
De Cahiers 1957-1972, p. 59. Pensar como esquiva: a reflexão começa onde o ato é recusado.
Ne pas naître est sans contredit la meilleure formule qui soit
De De l'inconvénient d'être né (1973). Não nascer como melhor fórmula possível, fora do alcance de quem quer que seja.
Je n'ai pas d'idées, j'ai des obsessions
De Sur les cimes du désespoir (1934). Aos 22 anos, Cioran já assina o programa: as ideias não derrubam ninguém, as obsessões sim.
La vie se crée dans le délire et se défait dans l'ennui
De Précis de décomposition (1949). A vida criando-se no delírio e desfazendo-se no tédio: dois momentos de uma mesma curva.
Dans chaque homme sommeille un prophète, et quand il s'éveille il y a un peu plus de mal dans le monde
De Précis de décomposition (1949). O profeta dormente em cada um, e o despertar como acréscimo de mal ao mundo.
Toute forme de hâte, même vers le bien, traduit quelque dérangement mental
De De l'inconvénient d'être né (1973), parte III, p. 65. A pressa, mesmo virtuosa, como sintoma.
La haine peut être vile ; s'en défaire pourtant est plus dangereux qu'en abuser
De Syllogismes de l'amertume (1952), p. 108. O ódio como combustível: livrar-se dele pode custar mais do que abusar dele.
Le fait que la vie n'a pas de sens est une raison de vivre
De Aveux et anathèmes (1987). A ausência de sentido como única razão restante: e a única que basta.
Nous savons maintenant que la civilisation est mortelle
De Syllogismes de l'amertume (1952), p. 64. Eco amplificado de Valéry: a civilização não só é mortal, ela galopa em direção ao pior.
'Nada me parece tão lúbrico e devasso quanto anões besuntados'
Resposta de Luis Fernando Veríssimo em entrevista à revista Oi, em registro de humor surreal sobre erotismo. Demonstra o gosto do cronista pelo absurdo concreto.
Comment fait-il pour ne pas se tuer ?
De Précis de décomposition (1949). Diante de cada interlocutor, a única pergunta sincera: como ele consegue não se matar?
On ne tue qu'au nom d'un dieu ou de ses contrefaçons
De Précis de décomposition (1949). A indiferença como única defesa contra o massacre: assim que uma ideia vira deus, mata-se em seu nome.
Ce n'est pas la peine de se tuer, puisqu'on se tue toujours trop tard
De De l'inconvénient d'être né (1973), parte II, p. 43. O suicídio como tarde demais por princípio: já se nasceu, já é depois.
On n'habite pas un pays, on habite une langue
De Aveux et anathèmes (1987), p. 21. Para o exilado romeno que mudou de língua aos 26 anos, a pátria é a língua, e nada mais.
'A única pessoa realmente livre é aquela que não tem medo do ridículo'
Frase atribuída a Luis Fernando Veríssimo na obra 'De Clone a Clown' de Vitor Briga (2012). Wikiquote a classifica como atribuída — verificada em fonte secundária, não em obra primária do cronista.
'Vai ficar tudo bem' — apócrifa, atribuída a Luis Fernando Veríssimo
A frase 'vai ficar tudo bem' (com variantes em texto longo) circula atribuída a Luis Fernando Veríssimo em redes sociais. Não consta em fonte primária dele.
'A felicidade aparece para aqueles que choram' — apócrifa, atribuída a Luis Fernando Veríssimo
Frase circula atribuída a Luis Fernando Veríssimo em redes sociais e cartões. Não consta em nenhuma das obras dele e tem marca clara do gênero motivacional dos anos 2010.
Crônica sobre o BBB 11 — atribuição a Luis Fernando Veríssimo é falsa
Crônica sobre o Big Brother Brasil 11 (2011) circulou em e-mails e blogs atribuída a Luis Fernando Veríssimo. O serviço E-Farsas e o Recanto das Letras documentaram a atribuição como falsa.
'No frigir dos ovos' — atribuição a Luis Fernando Veríssimo é falsa
Crônica/texto circula atribuído a Luis Fernando Veríssimo em correntes de e-mail e redes sociais. O serviço de fact-checking Boatos.org documentou a atribuição como falsa em 2018.
'Depoimento Sobre as Drogas' — não é de Luis Fernando Veríssimo, é de Vitor Trucco
Texto circula em correntes de e-mail atribuído a Luis Fernando Veríssimo. O autor real é Vitor Trucco, conforme catalogação pública dos apócrifos atribuídos ao cronista.
'Dar Não é Fazer Amor' — não é de Luis Fernando Veríssimo, é de Tatiane Bernardi
Texto circula desde o início dos anos 2000 atribuído a Luis Fernando Veríssimo em correntes de e-mail e redes sociais. A autora real é Tatiane Bernardi.
'Aprenda a Chamar a Polícia' — atribuição a Luis Fernando Veríssimo é incerta
Crônica circula em livros didáticos brasileiros atribuída a Luis Fernando Veríssimo. A autoria não foi documentada em nenhuma das coletâneas oficiais do autor.
'Toda escolha é uma renúncia' — apócrifa, atribuída a Luis Fernando Veríssimo
Frase circula atribuída a Luis Fernando Veríssimo em sites de devocionais e auto-ajuda. Não há fonte primária na obra dele. O conceito tem origem em ascética medieval e em filosofia da decisão.
'As pessoas não se afastam, elas se cansam' — apócrifa, atribuída a Luis Fernando Veríssimo
Frase circula em redes sociais brasileiras atribuída a Luis Fernando Veríssimo. Não consta em nenhuma obra dele. Não há fonte primária verificável.
Zwei Seelen wohnen, ach! in meiner Brust
De Faust I, V.1112, cena Vor dem Tor. Duas almas habitam, ai, em meu peito — fórmula canônica do desdobramento fáustico entre matéria e espírito.
Whatever you can do, or dream you can, begin it
Misatribuição célebre. A frase é paráfrase muito livre de John Anster (1835), tradutor irlandês de Faust, sobre versos do Vorspiel auf dem Theater. Não é Goethe.
Werd ich zum Augenblicke sagen: Verweile doch! du bist so schön!
De Faust I, V.1699-1700, cena Studierzimmer. Cláusula do pacto: se Faust pedir ao instante que demore, está perdido. Fórmula da insaciabilidade fáustica.
Wer immer strebend sich bemüht, den können wir erlösen
De Faust II, V.11936-11937, cena Bergschluchten. Anjos proclamam a fórmula da salvação fáustica: quem sempre se esforça, podemos salvar.
Wer fremde Sprachen nicht kennt, weiß nichts von seiner eigenen
De Maximen und Reflexionen, n.91. Quem não conhece línguas estrangeiras nada sabe da própria — formulação aforística publicada em Über Kunst und Altertum em 1821.
Was ist der Mensch, der gepriesene Halbgott!
De Werther, carta de 6 dez. O que é o homem, o tão louvado semideus — fórmula da impotência humana frente à própria finitude.
Was du ererbt von deinen Vätern hast, erwirb es, um es zu besitzen
De Faust I, V.682-683, cena Nacht. O que herdaste dos teus pais, conquista-o para possuí-lo. Herança não é posse — exige reapropriação activa.
Über allen Gipfeln ist Ruh
De Wandrers Nachtlied II (1780). Sobre todos os cumes está a paz: oito versos rabiscados na parede de uma cabana de caça no Kickelhahn perto de Ilmenau.
Treat people as if they were what they ought to be
Atribuição com origem real, mas frequentemente truncada. A passagem está em Wilhelm Meisters Lehrjahre, Livro VIII, cap. 4 — em formulação mais cautelosa que a versão motivacional inglesa.
Mehr Licht!
Atribuição disputada. As últimas palavras de Goethe (1832) circulam como Mehr Licht (mais luz). A versão atestada por testemunha presente é mais prosaica.
In der Beschränkung zeigt sich erst der Meister
Do soneto Natur und Kunst (1800/1802). É na limitação que o mestre primeiro se mostra — tese clássica de Weimar contra a estética da expansão sem freio.
Im Anfang war die Tat!
De Faust I, V.1237, cena Studierzimmer. Faust, traduzindo o Evangelho de João, rejeita Wort, Sinn e Kraft, e fixa Tat: no princípio era o feito.
