Notas
Índice cronológico de todas as notas do Scholion.
1929 notas · última:
Como poderá haver huma Constituição liberal e duradoura em hum paiz continuamente habitado por huma multidão immensa de escravos?
Argumento central da Representação (1823): a contradição entre constitucionalismo liberal e regime escravista. Bonifácio articula a tese antes de boa parte do abolicionismo europeu fazê-lo.
He tempo, e mais que tempo, que acabemos com hum trafico tão bárbaro e carniceiro
Núcleo retórico da Representação (1823) de José Bonifácio: o tráfico negreiro denunciado em palavras açougueirais, contra os portos onde negros chegam 'mais apinhados que fardos de fazenda'.
Coleção curada de citações — autores canônicos
Construção de coleção verificada de citações célebres em E:/scholion/content/notes/, com fonte primária inline (obra + ano + capítulo/poema). Inclui documentação de misatribuições virais. Trabalho via subagentes paralelos do Claude Code.
Soy loco por ti, América / Yo voy traer una mujer playera
Abertura de 'Soy Loco por Ti, América' (1968), composição de Gilberto Gil e José Carlos Capinam interpretada por Caetano Veloso no álbum *Caetano Veloso* (Philips, 1968).
Não pode progredir e civilisar-se sem cortar, quanto antes, pela raiz este cancro mortal
Advertência aos editores da Representação à Constituinte (1823, publicada em Paris 1825). A escravatura é descrita como cancro que rói as potências da vida do Brasil; a figura é retomada três vezes ao longo da obra.
Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna
Trecho do penúltimo parágrafo da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Inverte a relação entre presidente e povo, transferindo a libertação do líder para o povo.
Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se
Frase de abertura da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Constrói o adversário como conluio recorrente e enquadra a crise de 1954 como repetição de ataques anteriores.
Há os liberais, que pedem 'flexibilização', e os socialistas, que pedem manutenção de direitos adquiridos
Caetano Veloso discute Roberto Mangabeira Unger e a reforma trabalhista na introdução à edição comemorativa de *Verdade Tropical* (2017).
Voltei porque João Gilberto me chamou. Creio em João de modo sobrenatural
Caetano Veloso explica seu retorno do exílio em Londres em 1972, na introdução à edição comemorativa de *Verdade Tropical* (2017), respondendo às insinuações de Roberto Schwarz.
Escolho este meio de estar sempre convosco
Frase do oitavo parágrafo da carta-testamento de Vargas (24/08/1954) que enquadra o suicídio como ato de presença permanente, não de retirada.
Superstição é melhor do que religião
Frase do psicanalista Rubens Molina relatada por Caetano Veloso na introdução à edição comemorativa de *Verdade Tropical* (2017), em diálogo com a crítica de Roberto Schwarz ao livro.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo
Início do parágrafo final da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). O paralelismo soldando nação e povo como vítimas da mesma operação econômica.
Sigo o destino que me é imposto
Abertura do terceiro parágrafo da carta-testamento de Vargas (24/08/1954), articulando o suicídio como passagem fatal e não como escolha pessoal.
Esse é o erre da população de muitas áreas rurais e cidades do interior do Brasil
Trecho da introdução à edição comemorativa de *Verdade Tropical* (2017), em que Caetano Veloso revisa a desqualificação que fez do erre retroflexo na edição original de 1997.
Procurar a nossa felicidade através da felicidade dos outros
Conselho de Olívia em carta sem data, registrado em 'Olhai os Lírios do Campo' (1938). Reformulação altruísta da felicidade individual.
Nada dessa cica de palavra triste em mim na boca
Verso de abertura de 'Outras Palavras' (1981) de Caetano Veloso, faixa-título do álbum lançado em março de 1981 pela Philips, mistura de ritmos brasileiros com reggae e funk.
Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte
Antepenúltima frase da carta-testamento de Vargas (24/08/1954). Construção da morte como dádiva pública, deslocando o suicídio individual para o registro do sacrifício político.
Saio da vida para entrar na história
Frase final da carta-testamento de Getúlio Vargas, datada de 24 de agosto de 1954, redigida horas antes do suicídio no Palácio do Catete.
Misatribuição: 'Escrever é uma forma de não morrer' não é de Érico Veríssimo
Frase comumente atribuída a Érico Veríssimo na internet brasileira tem origem em José Saramago, e mesmo nele aparece em formulação distinta.
Eu vi uma tigresa toda nua na rua
Abertura de 'Tigresa' (1977) de Caetano Veloso, faixa 7 do álbum *Bicho* gravado depois da temporada com Gil em Lagos, Nigéria.
O fio que prende a sua fé
Imagem da fragilidade da fé em 'Incidente em Antares' (1971). Trecho da p. 188 que articula crença não como rocha, mas como fio sob tensão.
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é
Verso de 'Dom de Iludir' (1977) de Caetano Veloso, composta para Maria Creuza e gravada pelo próprio compositor primeiramente em *Totalmente Demais* (1986).
Cana doce, Santo Amaro / Gosto muito raro
Verso de 'Trilhos Urbanos' (1979) de Caetano Veloso, faixa 7 do álbum *Cinema Transcendental*, evocação da Santo Amaro da Purificação onde o compositor nasceu.
Acho que o homem é um animal agressivo
Antropologia do conflito em 'Incidente em Antares' (1971). Trecho da p. 187 que resume diagnose pessimista que percorre a obra tardia de Veríssimo.
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Refrão de 'Podres Poderes' (1984) de Caetano Veloso, faixa de abertura do álbum *Velô*, gravada no fim do ciclo militar e às vésperas da campanha das Diretas Já.
'Cada um de nós' — diálogo sobre a singularidade em Incidente em Antares
Trecho da p. 145 de 'Incidente em Antares' (1971) sobre a singularidade irredutível de cada existência humana, formulada em diálogo entre personagens.
Pesquisa Viva: Milton Santos e o homem devagar
O homem lento miltoniano como figura epistêmica e política — quem resiste mudando o espaço — em diálogo com a pedagogia do brio de Clóvis (ler devagar, degustar).
Um ser humano não é uma moeda
Frase de 'Incidente em Antares' (1971) sobre a recusa de reduzir a pessoa a valor de troca. Aparece em diálogo no segundo bloco do romance.
Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Verso de abertura de 'Língua' (1984) de Caetano Veloso, faixa do álbum *Velô* com participação de Elza Soares e referência à 'pátria' linguística de Bernardo Soares.
Sei que não sou, nunca fui um writer's writer
Auto-avaliação de Veríssimo em prefácio a sua 'Ficção Completa' (1967). O autor recusa a vocação experimental e assume o lugar do romancista popular.
De perto ninguém é normal
Verso de 'Vaca Profana' (1984) de Caetano Veloso, gravada primeiro por Gal Costa em *Profana* (1984) e pelo próprio Caetano em *Totalmente Demais* (1986).
A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos
Frase de abertura de 'Pai contra Mãe' (1906), conto de Relíquias de Casa Velha. Machado começa o conto inventariando os instrumentos de tortura desativados pela Lei Áurea — máscara, gargalheira, ferro de marca.
Criatividade como saída: resistir à barbárie
Próximo do encerramento: o que mais impressiona em Milton é apontar a criatividade como saída — resistir à barbárie inescapável inventando.
Temporalidade e convergência dos momentos
Nina vai ler o avô para pensar a temporalidade do digital e encontra um corpo teórico já formado sobre aceleração do tempo e convergência dos momentos.
Técnica como via de mão dupla: Akrich e Jouet
Nina situa a teoria miltoniana da técnica numa linhagem francesa — Madeleine Akrich e Josiane Jouet — onde a técnica só existe pelas apropriações que recebe.
Nenhum escritor pode criar do nada
Declaração à Folha de São Paulo, junho de 1970. Veríssimo recusa o mito do gênio criador e defende a literatura como recombinação de experiência e leitura.
Guardem a minha coroa
Capítulo CC de Quincas Borba (1891). Rubião, no fim da loucura, coloca uma coroa imaginária e morre acreditando-se imperador. A cena fecha o arco do discípulo do Humanitismo.
Eu digo não ao não / Eu digo: É proibido proibir
Verso central de 'É Proibido Proibir' (1968) de Caetano Veloso, apresentada com Os Mutantes no III Festival Internacional da Canção da TV Globo, em setembro de 1968.
Você é linda / Mais que demais
Refrão de 'Você é Linda' (1983) de Caetano Veloso, faixa do álbum *Uns* dedicada a Cristina Mandarino, vizinha do compositor em Ondina, Salvador.
Todos nós somos um mistério para os outros
Frase atribuída a Veríssimo em dicionário de pensamentos da década de 1960. Reconhece a opacidade interpessoal como condição, não como déficit.
