Os quatro tons do Mandarim em Pinyin
O Mandarim tem quatro tons marcados no Pinyin por um diacrítico sobre a vogal, mais um quinto tom neutro sem marca. O exemplo clássico é a sílaba ma, que muda de significado conforme o tom: mā (媽, mãe), má (麻, cânhamo), mǎ (馬, cavalo), mà (罵, xingar), ma (嗎, partícula interrogativa). Há áudio dos quatro tons na Wikimedia usando exatamente essa sílaba, e ouvir uma vez ajuda mais do que qualquer descrição escrita.
Os linguistas descrevem cada tom numa escala de altura de 1 (grave) a 5 (agudo), notação criada por Yuen Ren Chao. O número à esquerda é onde a voz começa, o da direita é onde termina, e quando há três números a voz passa pelo ponto do meio. Tom é altura sobre o tempo, e a forma mais honesta de descrever isso por escrito é desenhar o contorno.
- Tom 1 — mā (¯). Contorno 5–5: alto e plano. A voz começa no agudo e fica lá, sustentada do início ao fim. Gesto: mão estendida e parada na altura dos olhos.
- Tom 2 — má (´). Contorno 3–5: subida do meio para o agudo, contínua, sem hesitação. Gesto: mão sobe da altura do peito para a altura dos olhos, num movimento só.
- Tom 3 — mǎ (ˇ). Contorno 2–1–4: começa baixo, afunda até o grave, depois sobe. É um vale. Gesto: mão desce até a cintura e volta a subir até o peito.
- Tom 4 — mà (`). Contorno 5–1: queda abrupta do agudo ao grave, com peso e firmeza. Gesto: mão cai da altura dos olhos até a cintura, com força.
- Tom neutro — ma (sem marca). Sem contorno próprio. Sílaba átona, curta e fraca, que se gruda no que vem antes e se apaga. Sua altura é decidida pelo tom da sílaba anterior. Aparece muito em partículas gramaticais (ma 嗎 da pergunta, de 的 do possessivo, le 了 do aspecto) e na segunda sílaba de palavras reduplicadas como māma (媽媽, mamãe), em que o segundo ma perde o tom 1 e fica neutro.
A marca tonal sempre cai sobre a vogal principal da sílaba, e a ordem de prioridade segue a abertura da vogal: a antes de o, o antes de e, e assim por diante. Mas o que está escrito no Pinyin nem sempre é o que sai na fala. Existem regras de sandhi, mudanças automáticas de tom em contexto, que o aprendiz internaliza com o tempo e o falante nativo aplica sem perceber. As principais são quatro:
- Meio-terceiro-tom. Quando um terceiro tom é seguido por um primeiro, segundo, quarto ou neutro, ele perde a subida do final e fica só na parte grave. Hěn máng (很忙, muito ocupado) sai com o hěn afundando e ficando lá, sem voltar a subir. É o caso mais comum: a maioria dos terceiros tons numa frase real é meio-terceiro.
- Terceiro + terceiro vira segundo + terceiro. Quando dois terceiros tons se encontram, o primeiro vira segundo. Yip e Rimmington dão como exemplo nǐ hǎo (你好, olá), que se escreve com dois terceiros tons mas se fala como ní hǎo. Quando há três terceiros seguidos, a coisa depende do agrupamento gramatical e o resultado pode variar.
- Sandhi do yī (一, um). O número um tem tom 1 quando está sozinho ou no final de uma sequência (contando: yī, èr, sān), vira tom 4 antes de sílabas em tom 1, 2 ou 3 (yì zhāng 一張, uma folha), e vira tom 2 antes de sílabas em tom 4 (yí ge 一個, um item). É a regra de sandhi mais visível para o aprendiz porque o yī aparece o tempo todo.
- Sandhi do bù (不, não). A negação bù tem tom 4 por padrão, mas vira tom 2 antes de outra sílaba em tom 4. Bú shì (不是, não é) é o exemplo canônico. Antes de tons 1, 2 ou 3, bù mantém o tom 4.
Sandhi é o lugar onde o Pinyin escrito mente um pouco para preservar a etimologia. A escrita guarda o tom original, a fala obedece ao contexto, e o leitor treinado aprende a ler o que está escrito enquanto pronuncia o que sai de fato.
