Organizações se destroem sozinhas
00:21:25 — Organizações se destroem sozinhas
Sucesso gera escala, escala gera complexidade, complexidade gera burocracia. Os mesmos mecanismos que protegem uma organização do caos também a protegem da mudança. O gênio do manual não está em ensinar pessoas a destruir organizações — está em reconhecer que organizações se destroem sozinhas. Os sabotadores só deram um empurrãozinho na entropia.
Isso me lembrou uma constatação minha já de muito tempo: pelos idos de 2010, a Apple nos proporcionou o Antennagate — uma das versões do iPhone simplesmente ficava sem sinal quando você segurava o aparelho. O Jobs, na maior cara de pau, falou que as pessoas é que não seguravam o aparelho de forma adequada.
Eu já trabalhava com tecnologias Microsoft faz uns 10 anos e os problemas eram periódicos. Toda versão ou atualização do Windows tinha uma surpresa oculta, de forma que usuários demoravam muito a adotá-las.
Quando vi essa pataquada da Apple lembro-me de comentar com o Si Fu: “Parece que há um limite para o tamanho das organizações. Após determinado número elas começam a tropeçar nas próprias pernas e estão fadadas a fracassar. Parece que não há sistema capaz de corrigir isso.”
As duas melhoraram um bocado nos anos seguintes, porém de tempos em tempos temos o mesmo comportamento: hoje a Siri na Apple é inútil, mas os celulares melhoraram de maneira geral (o que virou um problema — todos os iPhones depois do 13 são praticamente a mesma coisa). A Microsoft lançou o Windows 11, que é um sistema operacional bem decente, porém o ciclo atual de atualizações (primeiro semestre de 2026) chega a doer de tão ruim.
Até hoje não descobri qual seria esse tamanho máximo de organizações. Li alguns artigos de psicologia social que sugerem que pessoas não conseguiriam gerenciar mais do que 150 relações (teve uma rede social que tentava explorar essa ideia).
Podemos extrapolar a lógica: um líder “controla” 150 pessoas, que controlam outras 150… o número seria infinito se a doutrina, a cultura organizacional, fossem na mesma direção.
Pensei na maior empreitada organizacional da história humana — os chineses se arvoram de ter uma cultura milenar, seria isso? Ouvi recentemente um podcast sobre pensamento chinês que defende a ideia de que os chineses pensam primeiro em como preservar a cultura, depois em como estar no mundo. Seriam então os chineses naturalmente mais preparados para grandes organizações?
Por que tal ideia não vingou no ocidente?
Parece que a base filosófica do ocidente vem do embate. Sócrates já defendia a ideia da dialética (aprimorada por Hegel), ou seja, discutir para chegar em outro ponto, questionar o companheiro até exaurir possibilidades. Na sua forma mais rudimentar é simplesmente negar a ideia do outro — logo o ocidente estaria numa espiral narcisista de se destruir e levar o mundo todo junto.
Devaneios para um dia desses. 😄
